terça-feira, 31 de janeiro de 2012
já falei,vou repetir.
Hoje, eu me acostumei com o jargão FALO MESMO e coloco ele em prático todos os dias. Gostei? Falo. Não gostei? Falo. Me pediu sua opinião? Então senta aqui que eu vou te dizer. Não, não é fácil. Perdi muita gente, vi muita cara feia, aguentei chororô, mas decidi que isso é o melhor pra mim. Se eu não te digo algo que me incomoda, eu engulo e um dia vai virar câncer. Mas se eu te digo, verbalizei, saiu, pronto, a vida continua. Acontece que nessa brincadeira de falar tudo o que bem entendo, eu tive que aprender a 1) só falar quando algo me atinge ou atinge quem eu me importo, 2) deixar falarem pra mim também. E aí que começa a parte difícil.
Raiva é um sentimento forte demais pra ser controlado e moldado, por isso exige prática. Eu? Até hoje me possuo por ela quando escuto frases tipo ‘não sou mulher do tipo que vai pro Carnavio’ e não nego minha vontade de esfolar a cara de quem fala isso no asfalto, mas aprendi, de passo em passo, que não dá pra ser assim *infelizmente*. Penso melhor, uma, duas, cinco vezes e decido falar somente o ‘oi,então, aquele dia eu não curti o que você me disse. Por que você fez isso?’ Mas ainda mais difícil que controlar a raiva é ouvir o que dizem de você. Essa segunda parte começa, antes de tudo, nas suas próprias atitudes. Pensa bem antes de falar algo ou de alguém. Tem muita gente traiçoeira/pau mole/fofoqueira/lavadeira que curte intriga e vai falar pra outro e pra outro até tu ficar com a pior fama de boca suja e faladeira da cidade. O legal é que essas pessoas nunca ouviram nada de alguém e são ótimas cobaias pros primeiros testes de FALO MESMO. Depois que você percebe que cada palavra que sai da sua boca é de responsabilidade inteiramente sua, arque com as consequências disso. Se chamou de lindo, admita. Se chamou de vadia, mesma coisa. Mas por favor, não confunda ‘ser direto’ com ser grosseiro. Tudo na vida existe uma forma melhor de ser dita. Mas não pensa que eu vou deixar de te dizer que tua vozinha de criança quando pede carona me enche o saco só porque vai te ofender QUE EU NÃO VOU DEIXAR MESMO.
Como tudo na vida que é legal (dirigir,dançar,comer de palitinho,comprar online), falar o que você pensa exige PRÁTICA e paciência, exige não parar na primeira frustação ou no primeiro “AH VÁ PRO INFERNO” que você ouve. Exige saber admitir seus erros e saber o que te faz realmente bem.
Pra mim, resolveu muito da minha enxaqueca, insônia e da minha consciência que ficava formulando 20 respostas diferentes pra falar pra pessoa ‘quando visse de volta’ e nunca o fazia. Agora não tem ensaio, não tem cena, é na cara: falo mesmo.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Why Aiesec?
Em um final de semana, me desliguei de tudo que eu conhecia como meu mundo e me vi rodeada das pessoas mais incríveis que eu já conheci, com os ideais mais bonitos (e parecendo absurdos) que eu já ouvi e com a maior vontade de fazer e ser a diferença. Por que eu estava entre aquelas pessoas? Por que eu ia me dedicar ao menos 10 horas semanais pra aquilo? Por que eu, que gostava mais de sapatos do que de animais e até de pessoas, ia me envolver em uma organização como essa?
Porque eu e a Aiesec temos algo em comum. Algo fundamental. Porque eu acredito na capacidade que a Aiesec tem de mudar a vida das pessoas, ou melhor, a capacidade que a Aiesec tem de FAZER AS PESSOAS MUDAREM SUAS VIDAS, elas mesmas, as pessoas ao redor, o mundo.
Eu acredito na transformação do mundo pelas nossas mãos, pelas nossas atitudes diárias, pela nossa vontade de ser diferente. A Aiesec nos dá a oportunidade de fazer tudo isso, todos os dias, cabe a nós agarrar essas chances. E aí é que mora o diferencial da Aiesec: as pessoas.
Nós que trabalhamos loucamente muitas horas por dia, 7 dias por semana, damos nosso melhor, montamos planejamentos, planilhas, googledocs. Nutrimos um amor profundo por cada flipchart de expectativas, metas, timelines. Nós que aprendemos algo novo todos os dias, falamos tantas línguas diferentes, estamos em mais de 110 países, vivemos tantas realidades diferentes, lutando por um objetivo comum, o que nós acreditamos: peace and fullfilment of humankind. Nós que ao fim de cada conferência, misturamos sorrisos e lágrimas por conseguirmos ver que nós somos capazes,que sempre dá pra fazer mais. Nós que sentimos o impacto da Aiesec na pele, no cansaço, no coração.
Por que Aiesec? Porque vale a pena se desafiar, vale a pena se arriscar e ir mais longe, vale a pena testar seus limites, vale a pena ser, viver e fazer a diferença. Você só precisa acreditar. It's up to you.
You may say I'm dreamer, but I'm not the only one. I hope someday you'll join us. And the world will be as one.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Daddy's girl.
O meu pai não é uma pessoa difícil de ser definida, talvez por ele não ser uma pessoa difícil. Aliás, como alguém que atende por "Tio Minas" pode ser difícil? Quem vê todos os dias de camisa social não acredita que ele pediu por favor pra ir duas vezes seguidas na Splash Mountain enquanto fazia 5 graus. Ou que comprou uma touca do Mickey no momento em que pisou no parque e usou por todos os dias. Quem vê falando sério, discutindo licitações e mediações e mil coisas que eu nem tenho idéia do que se trate, não acredita que ele negociou jade em Taiwan porque 200 NTs( algo tipo 10 reais) era muito caro por 35 (!) peças. E achou graça, riu durante toda noite e me zoa até hoje, porque me roubaram no troco e eu não consegui discutir pra reclamar. E riu mais ainda e achou ainda mais graça quando tentaram me comprar por camelo e petróleo no aeroporto.
É quase uma bipolaridade,o pai piadista que adora contar das épocas que ia pros jogos e o empresário bem sucedido que não queria que a filha única fizesse faculdade de moda. O pai que me ensinou tudo que eu sei de futebol porque queria um menino e que entende porque eu gasto 2 horas na Sephora em cada viagem.
Desde que eu me conheço por gente, é assim. Me abraça, me aperta, me oferece dinheiro pra cortar o cabelo curto, ama cozinhar e faz tudo que eu peço e se apega as minhas amigas tanto quanto eu. Desde que eu me conheço por gente, me dizem que o relacionamento que uma guria tem com seu pai molda os relacionamentos que ela terá durante a vida. Pensando até hoje, até que faz algum sentido.
Todos os meus flertes/namorados eram piadistas. Meu pai adooooora uma piada e faz questão de contar uma sequência pra todas as pessoas que ele encontra. (QUASE) todos eram nerds ou curtiam muito o que faziam da vida. Meu pai nunca tirou menos que 8 e acha um absurdo eu ter pego final no último semestre de faculdade. Todos curtiam beber. Hoje, meu pai não bebe mais, mas só pelas histórias que ele me conta, de verdade, Rafael do Polegar fica no chinelo. Todos amavam seus carros e times. Tudo que eu sei de futebol e carros, aprendi com meu pai. Pra tirar ele do sério, nunca consigo arranjar um atleticano. Ele responde, rindo "não dá uma dentro,heim Lígia? Mas paranista nem tem graça, não dá pra tirar sarro...pior se fosse coxa!".
Talvez as pessoas que dizem que os meninos casam com pessoas parecidas com suas mães e as meninas com seus pais estejam certas. Ou talvez eu só esteja acostumada com o melhor e não consiga me contentar com nada inferior. Se for a primeira opção, lucky me. Se for a segunda? Lucky me, porque ter um pai que além de tudo isso topa entrar no meu Baile de Formatura com "MARAVILHOSA,GOSTOSA, O CREME DO VERÃO..." já é a maior sorte do mundo.
<3
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Waiting for butterflies.
Ontem, no meio da balada, eu ouvi "Você não acredita no amor, né?" Eu sei, quase certeza que era brincadeira, mas...será que eu já larguei mão dessa forma que dá pra ver na minha cara?
Não,eu ainda acredito. No amor, em homem, em toda essa baboseira sentimental. Pra mim, 'não acreditar' em homem é coisa de gente doente, que precisa se tratar. Vale o mesmo pra amor.
Eu sou,sempre fui, MOVIDA a amor. Amor pelo o que eu faço, amor pelo que eu quero fazer, amor pelas pessoas ao meu redor. Não, não vá acreditar que eu sou romântica, não sou. Aliás, detesto flores, mensagens apaixonadas, apelidos carinhosos. Uma atitude me ganha muito mais do que uma demonstração pública de afeto.
Mas, realmente, de um tempo pra cá, eu ando tranquila demais em relação ao AMOR. Não consigo atribuir a uma coisa específica.
Os mais tradicionalistas diriam que eu sofri pra cacete com o fim do meu namoro e por isso não quero mais.
Party people diriam que é porque tem uma festa atrás da outra: oktober, comunicabeach, handover, las vegas...
Aí as românticas rebatem: 'mas quando você ficar sozinha, vai querer um colo...'
Workaholic? Eu não tenho tempo. Trabalho 20 horas semanais em dois lugares, ou seja, 40. Faço faculdade, TCC. Mais ou menos 20 intercâmbios/sonhos de algumas pessoas são MINHA responsabilidade final. Preciso me formar no fim do ano.
Talvez todos tenham um pouco de razão. Eu realmente não tenho muito tempo. Eu realmente não quero me privar das parties. Eu realmente sofri.
Mas eu deixei de acreditar?
Deixei. Deixei de acreditar nessa forma pronta, clássica. Nesse conhece-paquera- fica- namora. Nessa procura eterna, não parar de olhar pro lado. Nessa necessidade extrema de ter uma aliança no dedo, um paquera prospectado.
Ainda quero casar, ter filhos, morar na praia e ter um quarto de sapatos.
Mas não acredito mais em promessas, palavras bobas. Não acredito em coisa fácil demais, absurda demais, simples demais. Gosto de complicação, gosto de ter que me arriscar. Vivo falando "aaah se eu acreditasse...", mas agora, tenho limites.
Virei egoistinha: não dou sem receber, não faço se não ganho em troca.
Isso não é relacionamento. Cobrar não é amor, fazer demais, se rebaixar, mover montanhas. Concessões tem sim que ser feitas, mas não de um lado só.
Agora, pra ser de verdade, vai demorar, vai ter que passar por algumas fases. Vai ter que me fazer querer a todo momento, todo mesmo, todos os dias, segundos, meses, semanas. Eu me recuso a qualquer coisa menor que isso.
Se for só pra ganhar colo, eu tenho minha mãe,meu pai, amigos gays.
Pra me fazer sorrir eu tenho minhas single ladies.
Pra me fazer feliz (ou não) tem o Grêmio, temaki, sapatos novos, chimarrão, crianças fofinhas.
Mas pra me fazer acreditar, de novo, precisa de mais que isso.
E não venha me chamar de exigente, eu só me encaixo naquele grupo que 'refuse to settle for anything less than butterflies.'
definitivamente.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Gamble.
Eu não sei jogar poker. Nem truco. Jogo malemal canastra! Tudo que eu entendo de regras, eu aprendi em filmes. Mas eu sempre gostei dessa idéia de apostar e , de repente, tudo isso faz muito sentido na minha vida.Faz mais de meio ano que entrei na AIESEC, faz mais de meio ano que eu trabalho no time que eu mais amei,desde o primeiro momento, na palestra obrigatório do processo seletivo, Gestão de Talentos. Amo mesmo, me apaixonei por cada processo. Comecei esse ano de 2010 determinada, eu ia me postular pra coordenadoria.
Pausa: postular = se candidatar a vaga.
Mas o ano foi passando, muuuuita coisa foi acontecendo e de repente, uma pessoa (OiViniFloriani) me fez a maldita pergunta "Por que não OGX?"
Pausa: OGX = outgoingexchange, outro time da Aiesec, responsável pelo envio de estudantes de Curitiba para fazer intercâmbio em outros lugares do mundo todo.
E, de repente, OGX acendeu sua plaquinha, com luzinhas piscando na minha cabeça. É igual colocar um brigadeiro na frente de uma criança, uma nota de 100 no chão do ônibus as 6 da tarde, um par de Louboutin número 35 jogado na rua da casa dessa que voz escreve: é involuntário, você TEM vontade de pegar, você quer, você chega a estender a mão...
Mas aí eu comecei a tentar entender POR QUE eu devia ser coordenadora? Por que de OGX? Que é uma área que eu NEM SEI NADA! Por que largar o meu timinho amado?
E uma postulação que ainda nem foi lançada já começou a me enxer de perguntas. O que eu quero com isso? A primeira coisa que vem na minha cabeça é auto-conhecimento. O que, em dois minutos, chega a ser burro. Quantas mil vezes eu já escrevi sobre mim aqui? Eu devia me conhecer, turns out, eu não me conheço. Eu quero saber até onde eu consigo chegar, quão longe, quão alto, quão baixo sem sofrer. Por alguns segundos, eu quero demarcar essas linhas. Bobagem, delimitação foi feita pra idéia central do texto, área do triângulo, não para pessoas. Eu quero sim auto-conhecimento e mais todas as 10 competências do GCM.
Pausa: GCM = Global Competency Model : o modelo de competências que a AIESEC usa para desenvolver pessoas ;)
Que tipo de líder eu seria? Brava? Boazinha? Liderança por exemplo? Rígida? Gastaria horas da reunião com personal updates? Ia fazer pauta no computador?
Não tenho a menor idéia da resposta de todas as perguntas, simplesmente por um motivo:
Eu não estou preparada para ser líder.
Mas eu também não tava preparada para entrar na faculdade quando eu passei na UFPR. Eu não vou sair da faculdade preparada para o mercado, eu mal sei o que eu quero com esse curso.
Eu não tava preparada pra fazer TCC e ele tá aí com quase 50 páginas já.
Eu não tava (mesmo) preparada pra levar um pé na bunda, mas sobrevivi.
E quando a gente tá preparado pra algo? Talvez, depois que as coisas acontecem.
Eu posso não estar preparada, mas eu quero MUITO minha liderança. E eu vou fazer tudo por ela, porque se tem algo que eu aprendi com mais de meio ano na AIESEC e o fim do meu namoro, é que por mais que eu não saiba perder, quando eu perco, me dá ainda mais vontade de voltar e ganhar.
Cause baby when its love if it isnt rought than it isnt fun. Aprendi a gostar de correr riscos, aceitar desafios, aproveitar oportunidades. Mudei e me desenvolvi porque eu acredito no 'life changing' que a AIESEC proporciona, porque eu ME DEI a chance de tentar ser diferente. Virei uma kamikaze do amor e do trabalho.
Se minha vida fosse poker, nos últimos meses, eu estaria constantemente de all in.
=*
ps: se você curtiu essa tal de AIESEC, em agosto tem processo seletivo do escritório de Curitiba. Ficaadica:)
quarta-feira, 26 de maio de 2010
A vida após a morte.
Não vou falar do filme do Chico Xavier, não. Até porque eu tenho medo dessas coisas. Nem da novela (bizarra) do Daniel, porque sei lá, não consigo entender. Mas respeito.Vou falar da minha vida, após a morte de algo que ERA a minha vida. E só pra deixar claro, morte nesse caso quer dizer fim. Pra sempre. Mas como todo fim é um começo...
Sofri sim, chorei sim, gritei sim, passei por todas as fases. Não vou negar nada, vou ser sincera.
Quantas vezes eu já escrevi aqui de amor, de fim de amor, do que fazer e bla bla bla? Acontece que, na prática, não é bem assim que a banda toca.
Vamos a minha experiência:
O começo é a pior parte, podem te falar que não, podem te falar que 'vai piorar', mas acredite, NÃO VAI. O começo são os primeiros dias, aqueles que você SÓ chora, grita, fica com a maior dor do mundo. Lógico, te arrancaram o que você tinha. Te tiraram sem pedir por favor e sim, é BEM ISSO que você vai sentir. Sentir que arrancaram um pedaço de dentro de você e se, no seu caso, for igual ERA no meu, em que era um pedaço FUNDAMENTAL da sua existência, aí sim, vai doer como nunca doeu. Não adianta rezar, pedir pra Deus, Buda, pai de santo, ninguém vai tirar sua dor.
Aí você vai sair, como eu sai, beber, como eu bebi, falar tudo que você quer falar e suas amigas (ai meninas, sorry) vão ouvir pacientemente, te dando razão e falando que queriam ser como você, mas ainda não vai passar.
Aí você vai sair de novo. Vai beber whisky, cerveja, vodka. E na volta pra casa, vai ter uma conversa importantíssima, dirigindo mesmo, em voz alta, concordando e discordando, com você mesma. Aconteceu comigo e aí sim, começou a passar.
Nessa hora, você com você mesma começa a perceber certas coisas:
1) Você realmente é forte. Mas isso nunca deu e nem dará o direito das pessoas te tratarem mal ou te fazerem sofrer.
2) Você realmente era demais pra ele. E sem humildade, era mesmo.
3) Você nem tava mais feliz, você chorava umas 4 vezes por dia, tinha esquecido do que você realmente gostava, gastava rios com celular, quando, na verdade, o que você gosta é gastar com sapatos e maquiagens.
4) Resolvi que eu ia esgotar os sentimentos. Chorar até não conseguir mais, até cansar de usar lágrimas como demaquilante. Sentir raiva e xingar até não saber mais palavrões. Eu iria até o fim, pra acabar com aquilo que (clichê) tava acabando comigo.
De repente, você resgata pequenas coisas. Primeiro, aquelas que você deixou de fazer porque o ex não gostava e agora você faz SÓ por isso.
Depois você vai ouvir Mariah Carey, Shakira, Kelly Key e cantar bem alto ' baba,olha o que perdeu', imaginando a figura do dito cujo.
Devagarzinho,vai passando. Você vai se livrando da dor, das memórias, mas aí vem a (melhor) fase. A RAIVA.
Finalmente você vai cair em si. Vai perceber o quão TROUXA você foi em alguns momentos (ou nem foi tanto,mas vai parecer que foi a pior do mundo), vai gritar, vai querer matar, vai falar verdades e mentiras, vai querer mandar bater. Vai contar todos os piores defeitos dele pras suas amigas. E vai jurar NUNCA mais mudar na-da por ninguém. Vão te amar? Vão te amar do jeito que você é, bebendo coca light de manhã, dormindo as 4 e acordando as 13, fazendo faculdade de Comunicação, dirigindo mal.
Também vai passar. E aí sim vem a verdadeira melhor fase. Aquela que você sabe quem você tem pra te ajudar, pra te dar a mão e te tirar dali, mas você sabe que precisa fazer isso sozinha.
Você vai entender quem você é, o que você fez, o que você está disposta a fazer.
Vai pensar tanto que vai ter dor de cabeça. Vai se dividir entre comentários dos amigos, opinião de família e Sex and the City. Vai achar seu ponto fraco e seu ponto forte.
E vai começar tudo outra vez.
A vida é um ciclo, com mil mortes no caminho. Com um milhão de fins que resultam dois milhões de começos. Você vai se olhar, durante várias vezes, no espelho e em fotos e nem vai se reconhecer, seja pelas atitudes, pelas mechas, pela ruguinha(argh!), pelas roupas, pela época. Você vai jurar nunca mais se apaixonar e se apaixonar de volta. Vai jurar que vai parar de comprar e gastar 300 reais em uma bota, no mesmo dia. Vai mentir no TCC, mas ser verdadeira na vida. Vai engolir o que você não gosta, pra manter as aparências. Vai parar de engolir o que você gosta, pra ter uma boa aparência. Vai fazer novos amigos. Vai dirigir as 4 da manhã cantando Justin Bieber e rindo de você mesma. Você vai mudar. E a graça não é aceitar ou não aceitar, gostar ou não gostar disso. É entender que vai acontecer.
Você vai rir,chorar, acertar e errar. Errar muito, irremediavelmente. Vai correr, dançar, cair.Levantar.
O saldo de tudo isso é o que faz valer a pena, é o que você aprende.
Eu? Eu não me arrependo de nada do que eu fiz. Faria de novo, não por ele, mas faria. Aprendi que não importa o quão grande pareça sua dor, ela vai passar. Aprendi que não dá pra contar com todo mundo, mas tem aqueles que você pode contar de olhos fechados e que valem por um exército. Aprendi que se for pra reduzir minha vida a um relacionamento, vai ser comigo mesma. E isso,lógico, também é mais fácil na teoria. Aprendi a me entender, a me aceitar. Entendi que eu nunca vou ter o nariz perfeito, nunca vou ser magrinha, sempre vou ser a mais baixinha. Aprendi que gosto de colo sim, que eu preciso de atenção, que eu não vou abrir mão do jogo do Grêmio por nenhum outro. Aprendi que não dá pra esperar dos outros o que a gente faz por eles. Cheguei a ficar desacreditada. Mas não era eu, era alguma fase da Lígia em coma emocional, algo que eu não estava respondendo por mim, estado vegetativo, essas coisas.
Eu sempre acreditei no amor, acima de tudo, em todas as formas. E não é uma mortezinha dessas que vai me fazer perder a fé ;)
Words are not enough.
Não adianta eu ficar tentando escrever algo gigante. Não existem palavras, gestos, imagens, piadas internas capazes de demonstrar o quanto eu sou grata a vocês.You bring me back to life. Thank you. AMO vocês.
E como já diria o Big:
"You are the loves of her life and a guy would be lucky to come on fourth."
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
2000inove.

Difícil, muito difícil falar disso. Não sei se pelos anos 'pré' nós ou se por tudo que existe agora e que eu ainda quero que exista. Não sei se por me achar extremamente jacú por não ter percebido antes que tudo que eu procurava/me faltava estava bem pertinho, não sei se por não querer mais sair de perto. De alguma forma, era para acontecer. E precisava ser dessa forma, demorar tanto. Para que a gente pudesse amadurecer. Amadurecer como pessoa, amadurecer as idéias, perceber o que realmente queria e o que seria capaz de fazer para que isso acontecesse, precisávamos passar por tudo que passamos para poder entender e fazer acontecer da forma que é. Precisou de muita insistência da parte dele, de muita coragem pra me jogar de cabeça em um relacionamento, da minha parte. Precisamos conversar muito para conciliar as vidas e prioridades. Precisamos estabelecer prioridades: nós. Hoje, 5 meses depois, eu consigo dizer com todas as palavras: valeu e ainda vale muito a pena. Vale pelo relacionamento 'que eu sempre quis ter' e tenho, vale pela nossa capacidade de resolver tudo conversando, vale pelos valores iguais, vale por cada momento que passamos juntos. Vale por todos os amigos que eu ganhei e que me ganharam (principalmente as meninas, minhas queriiidas). Vale por cada vez em que eu paro para pensar, chego a conclusão que, graças a Deus, eu tenho você. Vale pelos jacarés, pelos pernilongos, pelo Irídio, vale pelos momentos de carinho, pelos tombos (muuuuuuuuitos meus e pouquíssimos seus), vale pelas discussões sobre assuntos sérios, vale pela parceria e companherismo, vale pelo amor. Se 2009 valeu a pena, foi por sua causa.
Na casa nova,com a minha parede vermelha L-I-N-D-A e com a mãe quase casando, eu não consigo resumir esse ano em outra palavra que não seja: inovação.
E que 2010 venha com tudo de melhor :)
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
todo sobre mi madre.
Quando somos crianças, queremos ser iguais as nossas mães. Toda menininha anda pela casa desfilando o sapato, que parece enorme, da mãe, quer passar o batom da mamãe e repete as frases que ela diz pro papai durante as brincadeiras de boneca. Mas aí a gente cresce.Cresce e se acha as donas da razão e não vê a hora de ser diferente. Pinta o cabelo pra ficar diferente, põe piercing, briga, discute, faz drama, bebe demais e jura que nunca vai ser igual a ela. E diz mais, quando tivermos filhas, não seremos iguais elas são conosco.
Só que daí a gente cresce mais uma vez e aí percebe um lado da mãe que até aquela hora não dava pra ver: o quanto é difícil ser ela.
Trabalhar o dia inteiro em algo que ela talvez nem goste e aguentar você reclamando da sobrancelha que ficou torta, aguentar seu pai (ou o namorado dela) e PIOR, às vezes nem ter com quem dividir a vida, não ter nem um paquerinha. Fazer as unhas, pintar a raiz do cabelo, fazer mechas, estar sempre bonita, ler jornais, ler revistas, publicar artigos e ainda fazer tudo por você.
Ela trabalha todos os dias das oito as seis, mas arranjou um tempo pra te levar no médico quando você acordou enjoada. Ela não gosta das suas músicas mas ouve no PRÓPRIO carro porque você sequer dá opção. Ela tinha uma reunião importante, mas atendeu o telefone quando você estava chorando porque bateu o carro na coluna do prédio. Ela não dorme enquanto você não chega e você insiste em chegar as 5 da manhã e sequer manda uma mensagem avisando que vai demorar. Ela te ajuda a ler, dirigir, escrever o pré - projeto do TCC, convencer seu pai que seu namorado é um bom guri, apesar de torcer pra um time diferente do dele. Aí você para e pensa: não seria ser tão ruim ser igual ela, né?
Too late, honey. Nessa altura, você já vai estar andando igual ela, falando igual ela, se vestindo igual ela e acreditando nas mesmas coisas, além de fazer o que você acharia absurdo dias atrás: CONCORDANDO com ela.
Dentro de você sempre existiu muito dela, mas você nunca viu, na maioria das vezes, só os outros enxergam, por isso te dizem que vocês são parecidas, que tem a voz igual, que parecem irmãs, que cada dia que passa estão mais iguais.
Você? Você não vê, se olha no espelho e se acha totalmente diferente. Mas você é fruto direto dela e aqui vão as notícias: você vai ficar igual ela.
Não tem jeito, meninas, todas nós vamos ficar iguaizinhas as nossas mães, querendo ou não, gostando ou não.
Nem perca tempo criticando, dizendo que isso jamais vai acontecer, daqui a pouco você vai olhar no espelho e não vai ser mais a personalidade que vai ser igual, vão ser os olhos, as bochechas e as ruguinhas. Então use seu tempo investindo em um bom protetor solar e em momentos agradáveis com ela, conhecendo ela melhor e, lógico, conhecendo você mesma daqui uns aninhos.
Meninos, fica a dica: Olhem as mães, suas paqueras/namoradas vão ficar iguais.
Sorte que a minha é loira, bonita, bem sucedida e gente boa.
(e má motorista)
=*
ps: Vejam o filme do título do post,como todos do Almodovar, é demais!
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
"summer" nights.
domingo, 19 de julho de 2009
oldie but goodie.

Mas será que eu tô tão velha mesmo ou será que as coisas realmente mudaram? Por favor, maiores de 18 anos, me ajudem. Será que nos nossos tempos de Cabral Young todo mundo pegava todo muito, incluindo pegas realmente fortes tipo second base? Não. Aliás, até onde eu lembro, não vendiam bebida alcoólica nesses lugares e...ninguém sentia falta e vivia lotado; ou era impressão minha?
Nos nossos tempos de festas de 15 anos, todo mundo usava terno e vestidos e, bom, com quinze anos, era isso que a gente fazia, né? Festas de quinze anos, nada mais. Não pegava bem sair ficando com muitos meninos da mesma rodinha, quando alguém ficava com um, normalmente se estendia para a próxima festa(no dia seguinte, provavelmente) e não existiam porres históricos. Quer dizer, ninguém era super acostumado a beber então pouco já deixava alergrinho. Mas eu ouvi dizer que hoje em dia “esporte fino” quer dizer pólo e calça jeans e vestido “euesquecidecolocarcalça”. Até onde eu sei, esporte fino é ESPORTE FINO, vestido não precisa ser longo e não precisa de gravata, that’s all. Será que tudo mudou tanto e passou tanto dos limites que nem a ETIQUETA FASHION é respeitada? Não que eu não ame pólo, pelo contrário, eu sou uma huge fan de pólo, mas ela fica melhor na Woods. Eu prefiro não entrar no mérito alcoólico (até pq eu não tenho muita moral pra falar), mas se com 15 já se bebe e fuma e pega tanto, imagine com 30?
Talvez eu esteja realmente velha por me impressionar com pessoas de 16 anos na balada (Viva a identidade falsa!) fazendo tudo que eu faço com 20 (e coisas que eu não faço) em escala muito maior, talvez realmente essa “juventude esteja perdida”, talvez minha indignação seja por eu deixar de aproveitar por me irritar com eles, mas será que o tempo é tão malvado assim que quando você começa a pensar em casar (e se desesperar por não achar ninguém), automaticamente você se torna velha (e chata)? Será que é melhor sair e se achar muito nova para o local (nunca aconteceu com você? Experimente o bar PAPO FURADO) ou muito velha (Tente a Seven)?
No primeiro, você vai rir, te garanto, mas só no começo. Vai achar divertidíssimo ver aquele tiozão curtindo os sucessos dos anos 80, até ele achar que você é o sucesso da noite. Vai beber uma, duas, três cervejas e começar a achar que sua mãe devia ir no bar, vai pensar porque você não foi naquela aniversário da ex namorada do seu ex melhor amigo e quando for 2 horas, você vai embora, jurando nunca mais voltar.
Na segunda? Você vai achar divertidíssimo ver os meninos dançando de forma estranha, vai rir daqueles que fumam (sem tragar) e acabam tossindo, vai rir quando ver o amigo do seu primo que faz cursinho te olhando, mas odiar quando ele vier te perguntar se não era você que era amiga do irmão dele que casou(!) mês passado. No fim, não importa quanto você tenha bebido antes de chegar lá, não importa que seja o DJ do Jay Z, só vão ser 2 da manhã e você vai se irritar com as meninas semi nuas e ir embora, se arrependendo por gastar os saltos da sua sandália favorita.
Meninas semi nuas sempre existiram e sempre existirão. Playboyzinhos que acham que são gente fumando sem tragar também. Mas ou a coisa perdeu o limite ou eu realmente fiquei velha demais pra essa brincadeira e nova demais pro “papo furado”. Eu prefiro acreditar que é a primeira opção, apesar de usar ácido anti rugas e protetor solar todos os dias. Eu preciso acreditar que a “nova geração” podia tirar o pé do acelerador e aproveitar mais essa fase, gostar de Jonas Brothers e Hannah Montana, usar bastante tênis e moletom e beber pouco, senão, quando eles tiverem 20, o fígado e a moral já vão ter deixado de existir e a vontade de resgatar os tênis e o moletom vão chegar à beira do ridículo, porque só existe uma coisa mais ridícula do que usar sapatos anatômicos/ beges /cores que "combinam com tudo" : velhos querendo parecer novos.
Afinal, crescer é , dentre várias coisas, perceber que sapatos combinam mais com você( e suas roupas) do que tênis e, quem dera, até seu pé concorda com isso.
Turns out, que os 20 e poucos anos acabam sendo mais confusos que os 15 e talvez por isso a gente queira tanto voltar a eles, mas como não dá, fica pensando em casar e se desesperando por não ter noivo. No fim, o tempo pode ser até cruel, mas cada idade tem a sua loucura (a minha é realmente achar que eu tô velha com 20 anos) e a sua delícia. O grande desafio é saber aproveitar os dois lados de cada uma - seja com saias curtas, seja com moletom cor de rosa.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
About me.

É, já me disseram que parece que tenho 15, talvez por isso eu me encha de rímel preto pra parecer que realmente tenho 20.
Adoro sol, adoro calor, adoro praia e pernas de fora. Frio me tira do sério. Me deixa de mau humor.
Romance? Não, por favor. Eu prefiro dispensar essas coisas que não são reais, essas flores toscas e esse cartão que tu copiou da internet, prefiro gostar e acreditar que o romance vive nos pequenos gestos, nas atitudes do dia a dia.
Olha, eu já fui bem mais baladeira, mas continuo não dispensando uma boa Woods. É, eu sei, já devia ter cansado né? Mas...
Eu tomo vodka, sim. Tomo vinho, champagne, whisky, cerveja e coca light de manhã. Não, não álcool de manhã, coca! Ah, tu não vai me enxer por isso, né? A regra número 2 pra isso dar certo é tu me deixar tomar coca de manhã sem falar que vai me fazer mal, tudo bem pra você?
A regra número 1? Suma de vez em quando, não grude em mim, me deixe sentir saudades, seja presente mesmo ausente. Difícil? Not really.
Trabalhe seu lado cafajeste, fale besteira, me convide pra ver jogo, saia sozinho. Mas volte dizendo que você gosta de mim tanto quanto gosta de cerveja. Olha, não tente, não se esforce pra eu gostar de você tanto como eu gosto dos meus sapatos ou do Grêmio, talvez assim, eu REALMENTE goste tanto quanto, ou até mais.
Não precisa ser apressadinho, mas não seja tão devagar que me dê vontade de dormir. Não grita comigo senão eu revido, não conte piadas sujas do Michael Jackson, não fale mal do meu time, senão eu falo mal do seu. Minha educação depende da sua.
Não opine no jeito que eu dirijo, não fale mal das minhas amigas, não seja esportista demais.
Viaje, beba, coma, fume, sofra antes de me conhecer. Tenha histórias pra me contar e deixa contar as minhas, por favor? Eu sei que eu falo demais, mas é sempre sinal que eu estou gostando da conversa.
Me deixe surtar quando o carro estraga, me deixe sozinha, me deixe gastar 2 horas escolhendo a cor do meu blush. Não me obedece sempre, eu gosto de ser contrariada, me dá vontade pra ser melhor. (Mas me dá colo quando eu chorar, combinado?)
Não minta pra mim, nem pros seus pais. Não omita, eu descubro. Se eu omitir? Foi por uma boa causa, não me jogue na cara. Eu sou dissimulada se precisar, se acostume.
Não goste de tudo que eu gosto, mas não prefira filmes de medo. Me convide pra um vinho em plena quarta, lembre que quinta-feira é o dia que eu vou no salão e não ache que unha vermelha é coisa de biscate.
Ria dos meus machucados e dê beijinhos pra curar. Eu vivo caindo e me batendo e eu s-e-m-p-r-e vou culpar a miopia (mesmo com lente).
Goste de futebol, goste de ver jogo, em casa ou no estádio. Não precisa gostar do Grêmio nem odiar o Inter. Pode ser atleticano, pode ser coxa, mas ame seu time. Saiba as músicas, a escalação, saiba torcer e se finja atleticano pro meu pai. Ou pelo menos vá no jogo com ele.
Não venha querer dar uma de meu pai, de meu filho, de meu irmão. Seja você, independente do papel que você está ocupando pra mim.
Não me peça pra tirar o piercing pra me apresentar pra sua família, nem pra usar sapatos ortopédicos porque eu vivo reclamando de dor. Não fale um A dos meus sapatos, entendido? A não ser que sejam elogios...
Mudo de humor de acordo com o sol, com as notícias, com o episódio de Sex and the city. Não precisa entender, nem respeitar, só fique longe (ou perto).
Ria comigo, seja parceiro. Queira ir pra praia mesmo no frio, dançar samba, comer chocolate de manhã.
Minha mãe adora Robertos Carlos e se acha jovem, meu pai adora cozinhar e é extremamente piadista. Minha família tem bebês a cada cinco minutos e todos são meus amores, desde a minha cópia em miniatura até a bebê de dois meses.
Entenda que eu quero casar. Entenda que eu quero ter filhos. Entenda o que a minha profissão faz, por mais difícil que isso seja. Entenda que eu sou nerds, cdf e workaholic.
Me deixe comer mousse de chocolate em paz. Coma carne.
Tenha defeitos. Erre letras de música, marchas, erre em provas, erre no curso que você escolheu.
Me deixa perceber que você é tudo que eu pensava que você era. Ou totalmente o contrário.
Minhas amigas vão saber de ti, tu vai saber delas. Seja piadista, mesmo que sejam piadas cretinas. Se eu gostar de ti, elas vão gostar, não precisa fazer esforço.
Eu sou ciumenta, sim, mas nem tente ser o tanto quanto eu sou. Ciúme é bom em alguns casos, mas na maioria só estraga tudo. Eu odeio ciúmes, principalmente quando sou eu que sinto.
Entenda que eu adoro casais que estão a anos juntos, adoro alianças, adoro filmes de amor, mas que nem sempre isso quer dizer que eu queira tudo aquilo.
Pra me entender, não adianta ler tudo que eu escrevi aqui, não adianta ler todos os meus textos. O que eu posso dizer é que a minha pessoa favorita nesse mundo me define como “mulher no sentido bíblico” e que meu nome devia estar no verbete intensidade do dicionário , fora isso, fica a seu critério. Só tenha em mente que quem se define, se limita e limitação é DEFINITIVAMENTE algo que não combina comigo.
Boas férias =)
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Fairytales don't always have a happy ending, do they?
Tem dias que eu fico pensando o que aconteceria com as princesas se elas vivessem na realidade. Será que a Branca de Neve ia dormir o resto dos dias ou ia encher o saco de viver naquela caixa de vidro, cuspir a maçã fora, trabalhar, dirigir e levar os sete anões pra Disney com o dinheiro do décimo terceiro?Será que a Cinderela no meio do caminho pro castelo, já transformada em Gata Borralheira, se lembraria que pagou muito caro só na primeira, das três parcelas, daquele sapatinho e voltaria correndo buscar? Ou será que até hoje, elas, assim como muitas de nós, não estariam esperando o príncipe pra nos salvar?Será que nós (IMPORTANTE: Por nós entenda-se, mulheres não tom pastel) apesar de toda a noção desse mundo não continuamos esperando o Príncipe? Será que lá no fundo de toda mulher não existe aquela vontadezinha de ser “resgatada”?
Eu? Eu sei o quanto eu gasto em sapatos, eu sei o quanto eu estudo, quantos km meu carro faz com um litro de gasolina, quanto eu posso beber pra não dar vexame. Eu sei que eu não abro mão das minhas expectativas e prioridades, que eu sei me cuidar sozinha, mas será que lá no fundo, eu não queria que o Príncipe chegasse logo, mas sem cavalo branco e roupinha olfashion e me salvasse de uma vaga apertada no estacionamento ou de uma dor de cabeça que não me dá trégua?
Acontece que ano após ano, nós (IMPORTANTE: Entenda-se nós por MULHERES EM GERAL, tons pastéis e não tons pastéis) somos bombardeadas com romances inatingíveis e homens impossíveis, desde o (tosco) Crepúsculo até (meu favorito e ai de quem falar mal) Sex and the City,todas as produções que envolvem romance contribuem para aumentar as expectativas das nobres representantes do sexo feminino, sem se importar com a idade. Isso só faz nossa expectativa de “como a vida deve ser” girar em torno de como nós brincávamos de Barbie aos 5 anos e como nós vemos, 15 anos depois, outras pequenas brincarem, da mesma forma. Se nós evoluímos tanto pessoal e profissionalmente, por que insistir nesse modelo de relacionamento?
Tudo bem, pra muitos pode não servir o “one night stand”, o ma-ra-vi-lho-so porém galinha, o Bavária (cerveja das amigas né? ahahaha) ou o bonitinho (muito) mais novo, mas com certeza, essa necessidade de ter um relacionamento estável com committed no Orkut e aliança no dedo não faz bem pra ninguém. Seguem meus motivos:
Motivo 1 – Qualquer affair vira potencial namorado se cumprir determinadas exigências. São elas: fazer faculdade (de preferência uma que revele a inteligência elevada dele), ser queridinho, bonitinho e confiável. Genericamente falando, óbvio, porque outras exigências são pessoais: não ser pedestre, não ser grude, não gostar de futebol, ser amor à primeira vista, comer comida japonesa, etc. Mas acredite, as exigências primordiais raramente mudam. Ou seja, sendo elas preenchidas, ta valendo.
Motivo 2 - Pessoas que optam por não estar em relacionamentos são taxadas de : vagabunda, biscate, “da vida”, galinha, cachorro, pegadora, etc. Injustiça enorme, principalmente, porque é feita por pessoas que gostam de cuidar da vida alheia e também não tem relacionamentos, mas daí por opção (dos outros).
Motivo 3 - Massificação e popularização da melhor desculpa de todos os tempos para não namorar alguém que você não quer : “estou focado (a) na minha carreira.” Há alguns anos atrás, funcionava. Hoje? Nem tente.
Motivo 4 – O dia dos namorados vira motivo de suicídio – para as fracas. Por fracas, entenda-se : meninas que adooooram sonhar que um dia o amor da vida, alma gêmea, que combina com ela em TUDO (Existe coisa mais chata do que combinar em tudo?) vai bater na porta de casa e pedir pra casar com ela, vai abandonar a vida de pegador pra ficar só com ela ou desistir do sonho de morar na Indonésia porque ela não curte.Ela vai chorar e comer três kg de doces no dia 12 assistindo “Um amor para recordar”. Para as outras, um motivo a mais para ir na Woods, já que é sexta-feira e só vai dar gente solteira.
Motivo 5 – A máxima “quem procura, acha” é a maior mentira. Quanto mais você procura, em mais lixo você se mete. Quando você relaxa, aparece. Experiência própria.
Não, eu não sou contra namorar, eu acho muito legal. O que eu não entendo, nem suporto, pra ser sincera, é essa necessidade de namorar que anda pairando por aí e esse modelo de namoro “fabricado”, onde os dois gostam das mesmas coisas, andam grudados e se chamam por apelidos “carinhosos” (não vou nem tentar entrar no mérito da questão).
Esse desespero que tomou conta de meninas (e ATÉ meninos, que decepção heim boys?) em arranjar alguém e viver nesses moldes. Nem é por “achar que está velho” ou por “se sentir sozinho”, mas só porque todos os seus amigos estão namorando, porque você gostaria de ganhar presente, ou qualquer coisa além do simples fato de gostar de alguém e “be loved in return”.
Claro que namorar é legal, claro que usar aliança é fofo e claro que ter namorado no dia dos namorados faz todo o sentido, mas pra mim, a graça está no jeito que o destino ou qualquer coisa desse tipo arranja pra fazer as coisas acontecerem. A graça está no perceber o quanto você gosta de alguém que até ficaria noiva (putacoisabrega). A graça está em perceber que no fundo, até as mais tons vibrantes, gostam de ser salvas de uma chuva que vai ACABAR com a escova, mas elas também adoram e só vão deixar ser salvas se elas também puderem te salvar em um dia que você não sabe chegar em algum lugar. (ou se a chuva estiver realmente forte e ameaçar os cabelos E os sapatos)
Se a Bela Adormecida acordaria com o próprio despertador tocando ‘Extravasa’ eu não sei, mas que ela (e todas nós) adoraríamos que fosse uma mensagem do Príncipe (nem tão príncipe assim, do melhor tipo malandro, SEEEEM CAVALO E SEM ROUPA JACÚ.Pela vigésima vez, se preserva, Príncipe!) da balada da noite anterior ao meio-dia (ligar às 8 da manhã também não há princesa que agüente),isso ela adoraria.
Afinal, por mais que com o tempo a gente se livre da vontade de ser princesa porque ser de verdade é MUITO mais divertido, sempre resta aquele sapatinho de cristal, a diferença é que a gente volta pra buscar, nos salvando sozinhas, com as amigas e com um pouquinho de sorte, com um possível príncipe.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Justificativa da solterisse das mulheres mais interessantes que eu conheço.

Homem gosta de mulher tom pastel. Se não gosta, homem se RELACIONA com mulher tom pastel. Mulher pra namorar tem que adorar bege e amarelo claro, tem que sonhar em fazer tricô pros netinhos. Gostar de futebol? Tá louco? Mulher gosta de novela. Dirigir? Ser independente? Gostar de filmes inteligentes? Ler mais que ele? Jamais! Beber e fumar neeeem pensar, muito menos se for sair pra beber e falar baixaria com as amigas! “Loucura, mulher minha não faz isso!” Usar salto fino gigante e saia curta também não é legal, o bonito é calça jeans e tênis. E nada de muita maquiagem, cabelão de propaganda de shampoo, o legal é ser natural.
Homem se relaciona melhor com mulher tom pastel porque é FROUXO. Exatamente isso que tu leu. Porque não consegue conviver com uma mulher que sabe fazer joguinhos, que consegue combinar tão bem as roupas, as palavras, a inteligência e o bom humor. Homem sempre vai preferir a facilidade e a facilidade é a anencefalia, ops, a “fofura” das tons pastéis.
Ele diz: eu te amo.
Ela diz: obrigada.
Meninas,usem essa estratégia se quiserem acabar com ele. Homem, de qualquer tipo, não entende isso.
Homem não entende que mulher prefere focar a carreira, na coleção de sapatos, prefere beber vinho sozinha vendo Sex and the city do que agüentar os comentários machistas deles. Homem não suporta mulher que sabe o que quer. Eles reclamam das indecisas, reclamam das chiliquentas, reclamam das imaturas, mas adoram. Adoram mulher que berra, que grita, que faz escândalo, bate o pé. Adoram mulher que não sabe se casa, vende a bicicleta, veste rosa bebê ou azul verde água. E CLARO, usa lingerie de estrelinhas e corações. Desculpa, dói minha alma só de pensar nos sapatos CONFORTÁVEIS que elas usam. Meninas, não sejam gostosas. Mulher gostosa dá dor de cabeça. Não saibam dançar, dançar é sexy e como já percebemos, sexy é ruim.
Good news, mulherada, o problema não é conosco, é com eles. Então se tu planeja namorar, leia o manual da moça da Clarice Lispector de 1960, garanto que é tiro e queda. Basicamente, tudo que nossas vovós lutaram pra a gente ser independente, inteligente, participativa na sociedade só adiantou pra uma coisa: sermos solteiras. Infelizmente, queridinha, a vida é feita de escolhas, logo, ou você é solteira ou você é tom pastel, prontofalei.
Perdão a TODAS as amigas comprometidas (ou tu acha que eu me relaciono com essas tons pastel?), vocês conseguiram fisgar aquele 0.5 % de homem que gosta de mulher de verdade. Porque pra nós,pobres mulheres de verdade que restaram, homem tá igual vaga de estacionamento de shopping na véspera do Natal: as boas estão ocupadas e as que sobraram não valem o esforço da manobra.
p.s.: se sentiu ofendido? Dê tua opinião aqui, vai que tu é uma das poucas e boas vagas sobrando....
domingo, 12 de abril de 2009
Desequilibrada.

sexta-feira, 20 de março de 2009
Brincando de(e com) Vinícius.
Pra viver um grande amor é preciso ter memória. Para datas, falas, fatos, mensagens, filmes, livros, cheiros. Para viver um grande amor, já diria Vinícius, é preciso saber tomar whisky. E champagne de vez em quando, vinho sempre, cerveja nos dias de calor, refrigerante (light/diet/zero), água, café. É preciso conhecer bem o momento. Chimarrão. Mas não mate, chá mate não é para o amor.
Para viver um grande amor é preciso falar, conversar, bombardear com perguntas. Trocar experiências, discutir política, filmes, big brother, horóscopo. É preciso diálogo. Comunicação de mão dupla.Para viver um grande amor é preciso paciência e quanta paciência. Na tpm, nas crises pré entrevista de emprego, nos dias de choro, nos dias sem choro. É preciso entender. Entender que “ficar sozinho” é necessário, sair com os amigos mais ainda, beber além da conta faz parte e ter vícios pode ser até charmoso. É preciso saber perdoar. E realmente esquecer.
Para viver um grande amor é preciso mais do que ser fiel, é preciso ser leal, é preciso ser verdadeiro, sincero, honesto. Para viver um grande amor, antes de tudo, é preciso querer viver um grande amor. Entregar-se, sem negação, viver com intensidades aqueles pequenos segundos de olhares, frases com entrelinhas interessantes, aquela angústia da incerteza. É preciso sentir, realmente, butterflies in your stomach e dor na mandíbula de tanto sorrir.
É preciso surpreender, pegar o carro as 4 da manhã pra dar um beijo de boa noite, sumir e voltar, mas sempre se fazer presente. Para viver um grande amor é preciso desencanar das gordurinhas e celulites e de ter um olho maior que o outro, é preciso começar vivendo um amor consigo mesmo.
Pra viver um grande amor, tem que gostar de samba,de rock, de sertanejo, de músicas românticas fundodepoço, tem que arriscar uns passinhos de dança, saber cantarolar uns versos e prestar atenção nas letras. É preciso aceitar amizades antigas, receber novas e, claro, gostar de crianças. É recomendável dar apelidinhos fofos, ridículos e manjados, mas que arranquem um sorriso no meio de uma briga ou demonstrem que está tudo bem depois dela.
É preciso telefonar e atender ao telefone, mas não sempre. Sem grudes, sem patrulhas. Para viver um grande amor é preciso entender de distâncias. Aquelas que chegam doer e aquela que é totalmente necessária nos dias de mau humor. Para viver um grande amor é preciso gostar de futebol, mas não necessariamente torcer pro mesmo time. é preciso sentir vontade de assistir clássicos juntos, tentar entender o que é impedimento e provocar quando o time do outro perde.
É extremamente necessário sentir ciúmes, não ciúme doentio, de fazer barraco e pagar de louca, mas ciuminho daquelas outras que mandam recados, daqueles outros que causam um perigo na “sua área”, é preciso fazer bico quando for dizer “eu só sinto ciúmes porque eu gosto de você.” É preciso brigar de vez em quando, discordar da cor do esmalte, do filme pra assistir, da posição política. Mas tudo isso pra depois fazer as pazes e perceber que nada é maior que...o amor.
Mas tudo isso não adianta NADA , se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a(o) bem-amada(o) — para viver um grande amor.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Do you believe in life after love?

As fases do ‘pós-amor’ sempre foram e sempre serão discutidas na vida e principalmente no universo feminino e formas para superar aquele que te fez /faz sofrer sempre existirão, mas nada milagroso. Há quem prefira viajar, se internar sozinho em casa com vinho, cair na noite. Mas dizem que não há nada como um novo amor para esquecer um antigo. Particularmente, eu não sei até onde é eficaz. Até onde você consegue esquecer alguém com outro alguém. Pode ser que você se empolgue com a pessoa nova, ela não é nada do que você tanto detestava na antiga, se é que você detestava algo, come as coisas que você gosta, assiste aos filmes que você indica, lê livros, fala um inglês perfeito e ri das suas piadas. Mas pode ser que não, pode ser que você não consiga, que você procure no rosto novo as pintinhas do rosto antigo, que você escute músicas que te lembram, mesmo sem querer, a outra pessoa, você até sai, bebe, se diverte, escuta novas músicas, mas chega em casa, joga os sapatos em um canto e pensa no quão feliz estaria se fosse com a outra pessoa.
P.S.: Juro que estou tentando fugir do tema recorrente(amor), mas ta difícil.
P.S. (2): Os vinte estão chegando, a sensação de “estar ficando velha” também, mas tudo passa com a lembrança de que o carnaval também está aí =)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Sobre viver, aprender e.... dividir.

- Tá, mesmo se eu estivesse comendo, você não ia me dar um pedaço, você sabe disso.
- Não mesmo. I don’t share food.
- Hahaha mané. Você não divide nada, você sabe disso.
- O que? Fala aí então, Mrs. “EU NÃO EMPRESTO SAPATOS.” Mas sabe, eu sei que vai chegar uma hora que eu vou querer dividir isso, que eu vou querer dividir muito mais.
- Ah, vai chegar uma hora que você vai cansar de viver sozinha e querer dividir seu sorvete de kinder ovo com alguém? VOCÊ?
- Li, não é isso, é dividir tudo, sabe? Desde meu sorvete até meu CKone.
- Ai, pode parar, você sabe que eu não acredito em perfume “unisex”, sempre a mulher fica com cheiro de homem e o homem com cheiro de mulher, essas coisas não funcionam. Sem contar que perfume de homem é muito melhor. Perfume unisex é tipo tamanho único, one size fits all, não funciona pra ninguém. Mas eu não vou negar, eu concordo contigo, chega uma hora que a gente precisa dividir as coisas com alguém e não é amizade, né?
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Uma mistura de Bender e Jabor.
Crônica do Amor
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Até porque você pode preferir Chico a Caetano e achar um fumante bem charmoso.
Ama-se pelo cheiro,seja daquele perfume que você não consegue lembrar o nome ou seja por aquele cheiro que você não lembra da onde conhece até que conhece o dono dele, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca e você tanto gosta.
Ama-se pelo tom de voz,ouco que nem o seu, imponente ou grosseiro, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.Você, logo você, que devia saber que ela odeia flores. Devia ter mandando aquele chocolate. Ou não, ela parou de comer chocolates e também está parando de comer carne vermelha. Mas você não sabia ou fingiu que não sabia.
Você gosta de rock e hip hop e ela de chorinho,de pagode, de sertanejo.Você até gosta de praia, mas não é chegado a uma areia, enquanto ela chega as 10 e só sai quando tá escurecendo.
Vcê abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, tem vontade de chorar, não sabe explicar porque, quando começa a contagem regressiva. Nem no ódio vocês combinam!
Então?Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Ela provoca, anda diferente, atende o telefone querendo desligar. Você fala daquele jeito que ela detesta, bebe demais, dirige muito devagar.
Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário enquanto você desfila o Izabelle Wen que trouxe da sua última viagem e demora 20 minutos só escolhendo os sapatos. Você não arranja um emprego de forma alguma e ele arranja vários mas não emplaca uma semana neles.
E é meio galinha. Meio não, galinha por inteiro. Não pode ver uma saia que não controla os olhares. E você?No fundo, você adora.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Ué, não era tu que não acreditava mais nisso? Que achava ridículo?
Por que você ama ele?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita, retoca os defeitinhos com uma boa maquiagem e sempre compra os cremes que acredita fazerem milagres. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Ou você faz acreditarem que tem. Pinta os olhos pra parecerem maiores do que já são e ensaia olhares antes de usá-los, mas quando usa, parecem naturais. É dom, charme, é o que dizem.
Ele? Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por tecnologia e não entende como você não comprou nenhum eletrônico na viagem. Você foi pro paraíso da tecnologia e voltou com uma mala de maquiagens? Ele ri da sua falta de vontade de aprender a mexer na televisão nova e se irrita com sua mania de apertar todos os botões achando que vai fazer funcionar algo.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e aprendeu a não julgar as pessoas, voltou mudada, tá escrito na sua cara, até a família tá comentando.
Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. E nem adianta tentar achar no Orkut as exs namoradas loucas e as comunidades estranhas. Colocar o nome no Google é pior ainda. Você diz que não está procurando. "Pra que amor? Eu tô comprometida com a minha carreira." Mentira, solta sorrisos à toa quando uma nova possibilidade aparece. Diz que gosta é da sedução, da conquista, que não apareceu ainda e talvez que nem apareça alguém que te coloque no lugar. Mas também você não está procurando, não é?
Amar?
Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas eles te enjoam, te fazem promessas que você preferia não ouvir e quando você percebe, não quer mais responder mensagens e prefere ficar vendo Sex and the City pela vigésima vez do que sair com ele.
Não adianta, ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! E talvez por isso, você tenha desistido, largado mão do amor... mas ainda pede quietinha sempre que aparece um " possível amor" que seja esse o "the one", afinal pedir é a maneira mais eficaz de merecer, é a contingência maior de quem, não admite mas, precisa.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Muitos pensamentos em uma língua que ninguém entende por aqui.
Aí ele diz pra eu voltar. Eu dou risada, finjo que gostei, mas não entendi se era pra lá,pra ele, pra algum momento. Talvez ele diga isso pra todas,né? Talvez. Não sei, ele não parece ser desse tipo, mas, isso é só minha opinião,entende? Ele não é o que eu acho que ele seja, pode até ser,mas ele é ele e eu estou cansada de tentar adivinhar isso.
Nossa, esse lugar tá uma bagunça. Nossa, eu tô uma bagunça. Ai, cala a sua boca,não tem ninguém te ouvindo, muito menos falando contigo. Mas você entende né? Eu sei que eu não devia estar pensando nisso, muito menos pensando nele, é óbvio que ele não tá pensando em mim. Ah, mas em pensamento se pode tudo, em pensamento e em sonho. Eu odeio quem censura os pensamentos, mas eu queria poder censurar os meus.
Será que isso é a campainha? Telefone? Seja lá o que for,parou.
Eu devia saber que tudo ia ser assim, eu não devia ter deixado acontecer, mas eu queria que acontecesse. Não era de hoje, você sabe. Cara,com quem eu acho que estou conversando? Por mais que tenha gente aqui, ninguém me entende. E também ninguém parece se importar. Bom, agora já foi, o que me resta é parar de pensar nisso, pegar outro chá e mais um muffin de blueberry e ir passear. Mas tá frio. Eu sabia que devia ter trazido minha bota preta. Talvez seja melhor comprar uma. É, parece que só a palavra comprar já me anima. Não sei fazer a conta de quantos dólares são 6000 nts. Acho que divide por 32 ou por 30, depende. DROGA. Ái, falei em voz alta.
Agora um chinês estranho me olhou e ,por um milagre, ele não sorriu. É engraçado, todo mundo sorri pra mim aqui. Principalmente os vendedores.
Eu resolvi parar de pensar no que ficou aí, resolvi começar de novo, resolvi que se eu estou longe do mundo, minha cabeça também deveria ficar. Pelo menos longe do meu mundo ou do mundo dele, do nosso, sei lá. Olha, tô pensando de novo. CACETE- falei em voz alta de novo.
"oi? você fala português?"