quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sobre viver, aprender e.... dividir.


- AAAi, essa é de longe a sobremesa que eu mais gosto. Não entendo como você ta conseguindo ficar sem chocolate, Li.
- Tá, mesmo se eu estivesse comendo, você não ia me dar um pedaço, você sabe disso.
- Não mesmo. I don’t share food.
- Hahaha mané. Você não divide nada, você sabe disso.
- O que? Fala aí então, Mrs. “EU NÃO EMPRESTO SAPATOS.” Mas sabe, eu sei que vai chegar uma hora que eu vou querer dividir isso, que eu vou querer dividir muito mais.
- Ah, vai chegar uma hora que você vai cansar de viver sozinha e querer dividir seu sorvete de kinder ovo com alguém? VOCÊ?
- Li, não é isso, é dividir tudo, sabe? Desde meu sorvete até meu CKone.
- Ai, pode parar, você sabe que eu não acredito em perfume “unisex”, sempre a mulher fica com cheiro de homem e o homem com cheiro de mulher, essas coisas não funcionam. Sem contar que perfume de homem é muito melhor. Perfume unisex é tipo tamanho único, one size fits all, não funciona pra ninguém. Mas eu não vou negar, eu concordo contigo, chega uma hora que a gente precisa dividir as coisas com alguém e não é amizade, né?
Incrível como uma simples conversa na Freddo faz a gente pensar.
Realmente, chega uma hora da vida que todo mundo quer dividir com alguém. Dizem que é por medo da solidão, discordo, ninguém nunca está sozinho, por mais que acredite estar. Sempre vai ter algum amigo, alguém da família do teu lado, mas, certamente, não é com seu avô que você quer dividir seu suco de laranja e a página de esportes do jornal no café da manhã. Não é com sua priminha que você quer dividir seu travesseiro da Nasa vendo aquele filme que só você sabe como é bom. Não é com sua mãe que você quer dividir o volante do carro até a praia. Não é com seu amigo/parceiro de Woods na quarta que você quer dividir sonhos, planos, angústias. Pode até ser, mas não são desses tipos de planos que eu tô dizendo, não são planos de amigo, de passar o carnaval juntos, beber estilo “Maysa”( a cantora, não a criança), dançar até nascer o sol ,mentir o nome na balada e criar aquele business promissor na praia. São aqueles planos a longo prazo, ou médio ou até curto, mas são planos que revelam, mesmo que só uma pontinha, do que nós realmente queremos pra vida.
Pode ser que isso já esteja acontecendo contigo(e comigo), pode ser que demore a acontecer. Não sei te dizer o momento exato que acontece, mas sei que leva em consideração três fatores principais: experiência, valores e amadurecimento. E digo mais, esses três fatores dependem diretamente do tempo.
Que atire a primeira pedra quem jurar, de pés juntos, que seus valores continuam os mesmos desde os 5 anos de idade. Ah, cá entre nós, você sabia muito pouco sobre valores aos 5 anos, sabia o que seus pais te ensinavam, o que moldou sua educação e , é claro, é importante até hoje, pois a partir desses valores iniciais, você descobriu seus valores de hoje em dia, você moldou seus princípios.
Mas de nada valeriam seus valores sem a sua experiência e por experiência eu quero dizer, TODA a sua vivência, em todos os âmbitos, até o dia de hoje, todos os amigos feitos, perdidos, recuperados e aqueles que nunca se separam, todas as suas notas desde a 1ª série até o dia de hoje, sejam boas, ruins, médias, fruto de estudo, dedicação ou de uma boa cola de um bom aluno sentado a sua frente, todos os seus relacionamentos com homens/mulheres, sejam eles de uma noite, um dia, uma semana, um mês, um ano, vários anos, sejam eles nascidos em uma balada, em uma conversa de MSN, em um encontro arranjado por amigos, em um encontro arranjado pelo destino. Todas as suas viagens, sejam elas até Matinhos ou até o outro lado do mundo, toda a vivência em lugares que você não pertencia mas que se adaptou(ou não). Todos os seus erros, acertos, tropeços, pés e braços quebrados, todos os seus cortes, suas cicatrizes, aparentes ou não, todas as suas mágoas, as suas descobertas, todas as suas vitórias, as suas derrotas, todas as vezes que você perdeu no Winning Eleven e deitou no futebol de verdade, todas as vezes que você chorou escondido ou em público, que bebeu demais, que bebeu de menos, que bateu o carro, que bateram no seu carro, que ganhou emprego, que perdeu emprego, que soube aproveitar, que deixou passar. Sua experiência é a soma de toda essa vivência com uma pitada de nostalgia, que nos faz sentir falta, valorizar, mas principalmente, aprender com o que passou.
E por último, o amadurecimento, sendo bem prática, daria pra resumir em experiência + valores, mas eu (e você que está lendo) sei que não é bem assim que funciona. O amadurecimento, logicamente, vem com nossos erros, acertos e é baseado nas experiências e nos valores, mas não existe fórmula secreta para amadurecer. Um dia, simplesmente, você amadureceu. Crescer é perceber que suas roupas não servem mais(engordar também), amadurecer é perceber que você não cabe mais naquelas roupas, que você mudou, que aquele tênis já não combina mais com seu jeito, que aquela saia já não reflete mais o que você quer que alguém pense de você,que aquele seu antigo pensamento já não cabe mais na sua cabeça.
Enfim, quando você perceber que amadureceu, você vai perceber que de nada valerá todo o resto, se não tiver alguém com quem dividir esse resto. Os próximos momentos, as próximas experiências, os próximos sorvetes de Kinder Ovo e até os próximos “perfumes unisex”(blé) e por que não, a vida?
Afinal,só quando você amadurece, você percebe o sentido daquela frase, daquele mesmo filme que só você sabe o quanto é bom: hapiness is only real when shared.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Uma mistura de Bender e Jabor.

Se a Jackie não tivesse ido pra Naples e me trocado por um americano, ela estaria dizendo nesse momento " Bender, pare de ler Jabor.", mas ela foi. Se a Lih não tivesse ido pra Baltimore e me trocado pelo Blake e pela neve, ela diria "O que a gente vai fazer hoje,xará?" mas ela foi. E então eu fiquei em casa, num calorzinho ideal pra sair, lendo Jabor. E aí eu comecei a misturar pensamentos meus naquelas crônicas manjadérrimas de orkuts de menininhas dele. Percebi algumas coincidências bobas, coloquei e tirei idéias, minhas e dele. E lembrei que eu voltei dessa viagem ao outro lado do mundo, literalmente, sem acreditar em coincidência. O resultado, ruim, mas sincero, você lê(se quiser) abaixo.

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Até porque você pode preferir Chico a Caetano e achar um fumante bem charmoso.
Ama-se pelo cheiro,seja daquele perfume que você não consegue lembrar o nome ou seja por aquele cheiro que você não lembra da onde conhece até que conhece o dono dele, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca e você tanto gosta.
Ama-se pelo tom de voz,ouco que nem o seu, imponente ou grosseiro, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.Você, logo você, que devia saber que ela odeia flores. Devia ter mandando aquele chocolate. Ou não, ela parou de comer chocolates e também está parando de comer carne vermelha. Mas você não sabia ou fingiu que não sabia.
Você gosta de rock e hip hop e ela de chorinho,de pagode, de sertanejo.Você até gosta de praia, mas não é chegado a uma areia, enquanto ela chega as 10 e só sai quando tá escurecendo.
Vcê abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, tem vontade de chorar, não sabe explicar porque, quando começa a contagem regressiva. Nem no ódio vocês combinam!
Então?Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Ela provoca, anda diferente, atende o telefone querendo desligar. Você fala daquele jeito que ela detesta, bebe demais, dirige muito devagar.
Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário enquanto você desfila o Izabelle Wen que trouxe da sua última viagem e demora 20 minutos só escolhendo os sapatos. Você não arranja um emprego de forma alguma e ele arranja vários mas não emplaca uma semana neles.
E é meio galinha. Meio não, galinha por inteiro. Não pode ver uma saia que não controla os olhares. E você?No fundo, você adora.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Ué, não era tu que não acreditava mais nisso? Que achava ridículo?
Por que você ama ele?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita, retoca os defeitinhos com uma boa maquiagem e sempre compra os cremes que acredita fazerem milagres. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Ou você faz acreditarem que tem. Pinta os olhos pra parecerem maiores do que já são e ensaia olhares antes de usá-los, mas quando usa, parecem naturais. É dom, charme, é o que dizem.
Ele? Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por tecnologia e não entende como você não comprou nenhum eletrônico na viagem. Você foi pro paraíso da tecnologia e voltou com uma mala de maquiagens? Ele ri da sua falta de vontade de aprender a mexer na televisão nova e se irrita com sua mania de apertar todos os botões achando que vai fazer funcionar algo.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e aprendeu a não julgar as pessoas, voltou mudada, tá escrito na sua cara, até a família tá comentando.
Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. E nem adianta tentar achar no Orkut as exs namoradas loucas e as comunidades estranhas. Colocar o nome no Google é pior ainda. Você diz que não está procurando. "Pra que amor? Eu tô comprometida com a minha carreira." Mentira, solta sorrisos à toa quando uma nova possibilidade aparece. Diz que gosta é da sedução, da conquista, que não apareceu ainda e talvez que nem apareça alguém que te coloque no lugar. Mas também você não está procurando, não é?
Amar?
Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas eles te enjoam, te fazem promessas que você preferia não ouvir e quando você percebe, não quer mais responder mensagens e prefere ficar vendo Sex and the City pela vigésima vez do que sair com ele.
Não adianta, ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! E talvez por isso, você tenha desistido, largado mão do amor... mas ainda pede quietinha sempre que aparece um " possível amor" que seja esse o "the one", afinal pedir é a maneira mais eficaz de merecer, é a contingência maior de quem, não admite mas, precisa.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Muitos pensamentos em uma língua que ninguém entende por aqui.

Eu sei que isso vai ser bom, que viajar, ficar longe de todos e principalmente dele vai me fazer bem. Eu ja tive medo das consequencias dessa viagem, mas agora acho que elas vão ser muuuito boas.

Aí ele diz pra eu voltar. Eu dou risada, finjo que gostei, mas não entendi se era pra lá,pra ele, pra algum momento. Talvez ele diga isso pra todas,né? Talvez. Não sei, ele não parece ser desse tipo, mas, isso é só minha opinião,entende? Ele não é o que eu acho que ele seja, pode até ser,mas ele é ele e eu estou cansada de tentar adivinhar isso.

Nossa, esse lugar tá uma bagunça. Nossa, eu tô uma bagunça. Ai, cala a sua boca,não tem ninguém te ouvindo, muito menos falando contigo. Mas você entende né? Eu sei que eu não devia estar pensando nisso, muito menos pensando nele, é óbvio que ele não tá pensando em mim. Ah, mas em pensamento se pode tudo, em pensamento e em sonho. Eu odeio quem censura os pensamentos, mas eu queria poder censurar os meus.

Será que isso é a campainha? Telefone? Seja lá o que for,parou.

Eu devia saber que tudo ia ser assim, eu não devia ter deixado acontecer, mas eu queria que acontecesse. Não era de hoje, você sabe. Cara,com quem eu acho que estou conversando? Por mais que tenha gente aqui, ninguém me entende. E também ninguém parece se importar. Bom, agora já foi, o que me resta é parar de pensar nisso, pegar outro chá e mais um muffin de blueberry e ir passear. Mas tá frio. Eu sabia que devia ter trazido minha bota preta. Talvez seja melhor comprar uma. É, parece que só a palavra comprar já me anima. Não sei fazer a conta de quantos dólares são 6000 nts. Acho que divide por 32 ou por 30, depende. DROGA. Ái, falei em voz alta.

Agora um chinês estranho me olhou e ,por um milagre, ele não sorriu. É engraçado, todo mundo sorri pra mim aqui. Principalmente os vendedores.

Eu resolvi parar de pensar no que ficou aí, resolvi começar de novo, resolvi que se eu estou longe do mundo, minha cabeça também deveria ficar. Pelo menos longe do meu mundo ou do mundo dele, do nosso, sei lá. Olha, tô pensando de novo. CACETE- falei em voz alta de novo.

"oi? você fala português?"

domingo, 14 de dezembro de 2008

Quantas saudades eu senti e de tristeza(e Dom Casmurro) vou vivendo...



Depois de ler quase três vezes Dom Casmurro, assistir a um julgamento meio fake da Capitu, assistir a um filme baseado na obra, assistir a uma minissérie sobre ela e ler "Quem é Capitu?"(indispensável pra quem ama Dom Casmurrro) eu conclui que de todos os personagens de todas as histórias que eu conheço, ela é minha favorita. Não sei explicar direito porque eu prefiro a Capitu à Cinderella, ao Bambi ou a Legalmente Loira, mas eu tenho uma teoria. Acho que eu e essa aí da foto e arrisco dizer TODA mulher, tem um pouco de Capitu. Aos que acham que ela traiu, não leiam mais. Obrigada pela visita. Aos que ainda têm dúvidas ou não acreditam na traição dela, continuem. Vou explicar por cima, não espero ninguém concordando. Primeiro, acredito nisso porque dou um braço dizendo que ela jamais traiu o Bentinho. Por que? Desde o início da história ele dá sinais de ser a pessoa mais insegura, psicologicamente perturbada e perdidinha e isso nitidamente aumenta, assim como a beleza da mulher dele, com o tempo e chega a enlouquecer o pobre Casmurro. Sendo uma militante fervosa da não traição, acredito que eu e essa bela moça, diga-se de passagem chamada Dona Elza, temos algo em comum com a Capitolina. Somos julgadas de forma errada, diversas vezes, por pessoas que fazem diferença para nós. Além de já termos provocados ciúmes em pessoas, sejam elas pais, irmãos, namorados. Talvez não na mesma proporção, talvez sim. Continuando meu argumento, nós duas já fomos elogiadas pelos belos olhos (os delas descaradamente mais bonitos e iluminados que os meus) e até na saída de um bar (minha xará não me deixa mentir) um louco veio me dizer que eu tinha os olhos mais bonitos do Paraná- "e olha que eu já andei nove estados". Não sei qual é o sentido dessa continuação até hoje,mas isso embasa minha teoria sobre nossos olhos elogiáveis. Talvez não de ressaca como os da personagem, mas igualmente bonitos. Também talvez não de cigana oblíqua e dissimulada, se bem que nós sabemos ser boas atrizes.Assim como Capitu, ficamos derretidas quando passam as maõs pelos nossos cabelos, meio morenos, meio loiros. Somos cativadas e cativamos nossas sogras a ponto de manter uma amizade com elas, mesmo quando não são mais sogras. Por último e mais importante, digo que temos um "que" de Capitu pela parte do livro onde Bentinho diz "Capitu era mais mulher do que eu era homem". Modéstia a parte, está no sangue. Dona Elza sempre foi mais macho que muito homem, assim como Ana Luiza,conhecida como a mamãe dessa que escreve e consequentemente eu e até a Rafaellinha já apresenta sinais. Vamos mais além mesmo quando acreditávamos que não seríamos capazes. E temos orgulho disso. Somos capazes, determinadas, mulheres de peito( sem piadinhas), chegamos a ser obstinadas. E temos um fraco por homens meio meninos, muito menos homens do que nós somos mulheres. (Por favor, não se ofenda se tu vieres a ler isso e já tiver tido algo comigo. É tudo culpa da genética, te juro. De qualquer forma, desculpa.) E assim sofremos falsos julgamentos, semeamos dúvidas e seguimos buscando o que nos move: amor. E é essa minha teoria. Não espero que concorde ou aprove. Só que perceba quando tiver uma mulher Capitu inside (isso ficou meio intel inside) e não deixe ela fugir, senão a saudade é eterna. Eu que diga.
(ouvindo cinquenta mil vezes Elephant Gun- Beirut, é da trilha da minissérie e vale muito a pena)
(eu sempre achei que o Bentinho tinha uma queda pelo Escobar, alguém concorda?)

domingo, 30 de novembro de 2008

Inter peace.


Então é Natal...ou quase isso. E todo esse clima natalino de não brigar com as pessoas e de renovação de esperança volta a tomar conta dessa que vos escreve. Não sei se pela herança/trauma familiar de ter que tratar os priminhos bem senão "não ganha presente" ou se por eu realmente ter sentido que essa época do ano me traz algo bom. Nos últimos tempos, venho pensando bastante na tal "paz interior". Não sei definir o que é realmente, mas, pra mim, é aquela sensação de bem-estar, dever cumprido que só eu posso proporcionar a mim mesma. Andei procurando sobre isso e descobri que para se alcançar a paz interior é necessário, em primeiro estágio, o auto-conhecimento. Tá,admito não foi nenhuma descoberta fenomenal, mas me fez pensar. Até onde eu realmente me conheço? Eu sei que eu sou pisciana, pelo dia e mês que nasci, sei que sou perfeccionista ao extremo, determinada, obstinada e não tolero injustiças. Sei que tenho um metro e cinquenta e quatro e meio e vários quilos (mal distribuídos). Sei que ponho a mão, o braço e o corpo inteiro no fogo pelas pessoas que eu confio, poucas mas boas. Venderia a alma pelos meus pais e não falo palavrão na frente deles(o que parece ABSURDO e MENTIROSO,mas é verdade). Não sei exatamente qual é meu feriado favorito,sempre fico em dúvida entre a Páscoa e o Natal. Não sei a cor exata do meu cabelo. Não sei se continuo essa faculdade, não sei qual eu faria se largasse. Adoro velocidade, detesto enrolação. Sei inglês, me viro no espanhol e definitivamente não sei tailandês. Sei que viajo dia 20, espero que volte dia 10, mas nunca se sabe, né? Sei que dirigir cantando com o vidro aberto me faz muito bem, mas sei o perigo que gero pras outras pessoas. Sei que falo muito e rápido, sei que ando rápido e melhor de salto do que sem ele. Sei que prefiro peixe a carne, vinho a cerveja e coca light a normal. Não sei se roubaria se alguém que eu amo estivesse passando fome. Sei que eu tenho mais ou menos 265 pintas. Sei que sou mimada, faço dengo e manha mas sou muito mais macho do que muito homem quando precisa. Sei que amo o calor e o sol,mas estou aprendendo a gostar do frio. Sei que sou, lá no fundo, uma sonhadora incurável. Sei tudo isso e mais várias coisas, mas não me conheço por completo, talvez por falta de experiências, talvez por excesso. Mas me conheço até aqui, melhor do que ninguém. E você, até onde você se conhece?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

várias conclusões confusas.

Eu sempre achei, ou acreditei,que o amor era capaz de me curar. Não digo esse amor de família ou o de amigos, digo amor homem-mulher. Eu sempre acreditei, no começo de cada "possível amor" que esse seria aquele que ia me curar do vício por sapatos, dos ataques de riso no meio da noite, das baladas sem nenhum propósito, da ressaca física e moral, de passar frio só pra exibir belas pernas na balada, das manias absurdas.Eu sempre acreditei que o amor, não me pergunte porquê, me curaria das minhas angústias, me faria parar de discutir com qualquer um que ache que a Capitu traiu o Bentinho,me traria um bom-humor eterno que me faria acordar com um sorriso estampado na cara mesmo as seis da manhã de um dia frio de Curitiba. Eu acreditava que o amor era capaz.
Eu acreditei nisso,pelo menos, umas 5 vezes. E nada. Esse amor tão intenso que nunca acabaria e que me faria esquecer, abstrair e até perder todas as minhas manias, meus problemas e meu lado "ruim" insistia em não se concretizar. Cheguei a cogitar a hipótese de que não era amor, de que o tal amor perfeito viria e então tudo seriam flores.
Então, desisti.
Desisti de acreditar que ALGUÉM iria me "salvar", passei a acreditar que isso era função pra mim mesma. EU devia parar de ler um livro em um dia só, EU devia parar de ser viciada em sex and the city, chocolate com amêndoas e sapatos. EU devia pagar minhas contas, dirigir meu carro, assumir as consequências dos meus atos. EU devia fazer planos pra mim.O único problema dessa filosofia auto-suficiente foi que eu passei a não esperar NADA dos meus relacionamentos, comecei a deixar acontecer. Já que eu mesma resolveria todos os meus problemas e a pessoa só pegaria a parte "boa", pra que colocar expectativas nela? Pra que acreditar que ela me traria algo diferente/bom/relevante?
O problema virou a solução.
Quando você deposita muita expectativa em algo, a chance de se decepcionar é imensa, quando você não tem nenhuma, o que vier, é lucro. Não, não tô dizendo pra todo mundo parar de ter expectativas. Expectativas são ótimas, mas quando são dentro da realidade. Esperar que outra pessoa faça algo por você que só você mesmo pode fazer,chega a ser história de conto de fadas. Como eu baixei as expectativas(falar que eu não tive/tenho nenhuma seria uma mentira deslavada, os que me conhecem sabem que eu sou do tipo dreamer),comecei a aproveitar mais. Percebi que as pessoas que se envolvem comigo não mudam propositalmente meus defeitos, muito pelo contrário, alguns nem acham defeitos e aproveitam que eu seja assim, mas eu me transformo sozinha, a partir do envolvimento. Não existe relacionamento, de qualquer tipo, que não te traga nada. Nem que seja uma decepção, nem que seja um "friend with benefits", "fuck buddy", algumas boas recordações, belos saptos e lições pra vida inteira. Cada um que passa na minha vida, pode até vir sem nada, mas jamais vai embora sem deixar nada e sem levar um pouco de Lígia pra si.
A verdade é que amar não é "construir" ou "reformar" alguém. Depois de tantos anos, eu entendi que amar é ter a liberdade de ser e se construir e se reformar por vontade própria. Amor é o que acontece por acaso, sem expectativas, por obra do destino,da própria pessoa ou pelos dois juntos. Amor é sentir que o outro é perfeito, não totalmente perfeito no sentido sem defeitos, mas perfeito pra você, mesmo com defeitos,manias e uma coleção de sapatos.(que nem é tão grave assim,tááá?)

=*

domingo, 5 de outubro de 2008

Bachelorette?

Eu ODEIO The Bachelor. Eu já vi milhões de temporadas, admito, com todos os tipos de "solteiroscobiçadosmaravilhosos" possíveis e eu até achava engraçado o nível patético das concorrentes, mesmo sempre umas 6 sendo "public relations."
Dessa vez, perdeu a graça. Me irritou,na verdade.Deixa eu tentar explicar: dessa vez, o cara,um tal de Lorenzo, que até é bonito, é um princípe,DE VERDADE,e elas ficam lá, louquinhas, chorando e se estapeando pra viver um "conto de fadas" com o "príncipe encantado". Ah fala sério, me xingue por gostar de Gossip Girl, mas me xingue mais ainda por ter perdido tempo vendo isso.
Primeiro que chega a ser ridículo um monte de mulher, 90% loira, com casa-filhos-emprego, largar tudo pra mostrar o desespero e a necessidade na televisão, por um "príncipe." Eu não consigo entender o que tem de tão bom nisso.
Claro, sem hipocrisia, é muito legal ser um príncipe, mais ainda namorar um, eu imagino, mas aquelas pessoas parecem crianças bobinhas acreditando que a fada madrinha vai aparecer e dar chapinha,maquiagem e tcharan, elas vão ser felizes para sempre.
Tá,isso nem é o que mais me irrita, o que me irrita é que elas REALMENTE parecem acreditar e agir como se o Lorenzo fosse o amor da vida delas.
Depois surgem mil comunidades no orkut e gente reclamando que o amor tá BANALIZADO. Mas é óbvio que tá, você vai num programa pra arranjar o amor da sua vida?
Olha, independentemente da sua necessidade, não faz isso, sério. Primeiro porque, vamos e venhamos, a chance de ele ser o amor da sua vida é próxima de zero.Depois porque a humilhação acabará com as suas chances com todos os outros prováveis amores da sua vida. (pelo menos eu ia rir demais e tipo TOTALMENTE dispensar alguém que já tivesse participado disso, por mais príncipe que ele fosse).
Ah,entrando no mérito príncipe, o cara pode até ser realmente um príncipe,mas PRA MIM, tá longe de ser príncipe encantado. Aquela cara de certinho, todo aquele romantismo e aquelas mil rosas realmente não me encantam. Além de que ele beija todas,todos os dias e todas as horas e elas são amiguinhas. E é isso que me faz odiar mais o The Bachellor, parece que o príncipe de todas é exatamente igual: loiro, olho claro, dá rosas e pronto, tá ótimo. Você tem um desse? Bom pra você, é o que todas querem e você pouco se importe que ele pega suas amigas, fique feliz e pronto.
Bom,talvez você nem tenha lido até aqui, realmente, não se dê ao trabalho, mas o que me enlouquece é toda essa "necessidade" generalizada de amor. Essa banalização louca sem nenhum freio. Sortuda não é a ganhadora do The Bachelor que vai casar com o príncipe. Sortuda é a menina que percebe que seu conceito de príncipe é bem fora do convencional. Sortuda é a menina que mesmo sabendo disso, encontra seu príncipe sem nenhum programa de televisão.Sorte é quando alguém percebe que ama outro alguém. Sorte é quando tudo isso acontece sem ninguém precisar se intrometer. Sorte é quando duas pessoas se encontram e percebem que não é só uma competição. Sorte é perceber que os joguinhos acabaram.Sorte tem uma pessoa que pode dizer que ama outra que conheceu no dia a dia. Sem câmeras, sem realeza,sem milhões de rosas e castelos, mas ainda assim com todo clima de conto de fadas, só que melhor:na vida real.