segunda-feira, 1 de junho de 2009

Fairytales don't always have a happy ending, do they?

Tem dias que eu fico pensando o que aconteceria com as princesas se elas vivessem na realidade. Será que a Branca de Neve ia dormir o resto dos dias ou ia encher o saco de viver naquela caixa de vidro, cuspir a maçã fora, trabalhar, dirigir e levar os sete anões pra Disney com o dinheiro do décimo terceiro?Será que a Cinderela no meio do caminho pro castelo, já transformada em Gata Borralheira, se lembraria que pagou muito caro só na primeira, das três parcelas, daquele sapatinho e voltaria correndo buscar? Ou será que até hoje, elas, assim como muitas de nós, não estariam esperando o príncipe pra nos salvar?
Será que nós (IMPORTANTE: Por nós entenda-se, mulheres não tom pastel) apesar de toda a noção desse mundo não continuamos esperando o Príncipe? Será que lá no fundo de toda mulher não existe aquela vontadezinha de ser “resgatada”?
Eu? Eu sei o quanto eu gasto em sapatos, eu sei o quanto eu estudo, quantos km meu carro faz com um litro de gasolina, quanto eu posso beber pra não dar vexame. Eu sei que eu não abro mão das minhas expectativas e prioridades, que eu sei me cuidar sozinha, mas será que lá no fundo, eu não queria que o Príncipe chegasse logo, mas sem cavalo branco e roupinha olfashion e me salvasse de uma vaga apertada no estacionamento ou de uma dor de cabeça que não me dá trégua?
Acontece que ano após ano, nós (IMPORTANTE: Entenda-se nós por MULHERES EM GERAL, tons pastéis e não tons pastéis) somos bombardeadas com romances inatingíveis e homens impossíveis, desde o (tosco) Crepúsculo até (meu favorito e ai de quem falar mal) Sex and the City,todas as produções que envolvem romance contribuem para aumentar as expectativas das nobres representantes do sexo feminino, sem se importar com a idade. Isso só faz nossa expectativa de “como a vida deve ser” girar em torno de como nós brincávamos de Barbie aos 5 anos e como nós vemos, 15 anos depois, outras pequenas brincarem, da mesma forma. Se nós evoluímos tanto pessoal e profissionalmente, por que insistir nesse modelo de relacionamento?
Tudo bem, pra muitos pode não servir o “one night stand”, o ma-ra-vi-lho-so porém galinha, o Bavária (cerveja das amigas né? ahahaha) ou o bonitinho (muito) mais novo, mas com certeza, essa necessidade de ter um relacionamento estável com committed no Orkut e aliança no dedo não faz bem pra ninguém. Seguem meus motivos:

Motivo 1 – Qualquer affair vira potencial namorado se cumprir determinadas exigências. São elas: fazer faculdade (de preferência uma que revele a inteligência elevada dele), ser queridinho, bonitinho e confiável. Genericamente falando, óbvio, porque outras exigências são pessoais: não ser pedestre, não ser grude, não gostar de futebol, ser amor à primeira vista, comer comida japonesa, etc. Mas acredite, as exigências primordiais raramente mudam. Ou seja, sendo elas preenchidas, ta valendo.

Motivo 2 - Pessoas que optam por não estar em relacionamentos são taxadas de : vagabunda, biscate, “da vida”, galinha, cachorro, pegadora, etc. Injustiça enorme, principalmente, porque é feita por pessoas que gostam de cuidar da vida alheia e também não tem relacionamentos, mas daí por opção (dos outros).

Motivo 3 - Massificação e popularização da melhor desculpa de todos os tempos para não namorar alguém que você não quer : “estou focado (a) na minha carreira.” Há alguns anos atrás, funcionava. Hoje? Nem tente.

Motivo 4 – O dia dos namorados vira motivo de suicídio – para as fracas. Por fracas, entenda-se : meninas que adooooram sonhar que um dia o amor da vida, alma gêmea, que combina com ela em TUDO (Existe coisa mais chata do que combinar em tudo?) vai bater na porta de casa e pedir pra casar com ela, vai abandonar a vida de pegador pra ficar só com ela ou desistir do sonho de morar na Indonésia porque ela não curte.Ela vai chorar e comer três kg de doces no dia 12 assistindo “Um amor para recordar”. Para as outras, um motivo a mais para ir na Woods, já que é sexta-feira e só vai dar gente solteira.

Motivo 5 – A máxima “quem procura, acha” é a maior mentira. Quanto mais você procura, em mais lixo você se mete. Quando você relaxa, aparece. Experiência própria.

Não, eu não sou contra namorar, eu acho muito legal. O que eu não entendo, nem suporto, pra ser sincera, é essa necessidade de namorar que anda pairando por aí e esse modelo de namoro “fabricado”, onde os dois gostam das mesmas coisas, andam grudados e se chamam por apelidos “carinhosos” (não vou nem tentar entrar no mérito da questão).
Esse desespero que tomou conta de meninas (e ATÉ meninos, que decepção heim boys?) em arranjar alguém e viver nesses moldes. Nem é por “achar que está velho” ou por “se sentir sozinho”, mas só porque todos os seus amigos estão namorando, porque você gostaria de ganhar presente, ou qualquer coisa além do simples fato de gostar de alguém e “be loved in return”.
Claro que namorar é legal, claro que usar aliança é fofo e claro que ter namorado no dia dos namorados faz todo o sentido, mas pra mim, a graça está no jeito que o destino ou qualquer coisa desse tipo arranja pra fazer as coisas acontecerem. A graça está no perceber o quanto você gosta de alguém que até ficaria noiva (putacoisabrega). A graça está em perceber que no fundo, até as mais tons vibrantes, gostam de ser salvas de uma chuva que vai ACABAR com a escova, mas elas também adoram e só vão deixar ser salvas se elas também puderem te salvar em um dia que você não sabe chegar em algum lugar. (ou se a chuva estiver realmente forte e ameaçar os cabelos E os sapatos)

Se a Bela Adormecida acordaria com o próprio despertador tocando ‘Extravasa’ eu não sei, mas que ela (e todas nós) adoraríamos que fosse uma mensagem do Príncipe (nem tão príncipe assim, do melhor tipo malandro, SEEEEM CAVALO E SEM ROUPA JACÚ.Pela vigésima vez, se preserva, Príncipe!) da balada da noite anterior ao meio-dia (ligar às 8 da manhã também não há princesa que agüente),isso ela adoraria.

Afinal, por mais que com o tempo a gente se livre da vontade de ser princesa porque ser de verdade é MUITO mais divertido, sempre resta aquele sapatinho de cristal, a diferença é que a gente volta pra buscar, nos salvando sozinhas, com as amigas e com um pouquinho de sorte, com um possível príncipe.


terça-feira, 28 de abril de 2009

Justificativa da solterisse das mulheres mais interessantes que eu conheço.


Eu tenho uma teoria. De novo, tu não precisa concordar comigo, é MINHA teoria, EU acho isso, se tu concorda, ótimo, se não, vá cuidar da tua vida.

Homem gosta de mulher tom pastel. Se não gosta, homem se RELACIONA com mulher tom pastel. Mulher pra namorar tem que adorar bege e amarelo claro, tem que sonhar em fazer tricô pros netinhos. Gostar de futebol? Tá louco? Mulher gosta de novela. Dirigir? Ser independente? Gostar de filmes inteligentes? Ler mais que ele? Jamais! Beber e fumar neeeem pensar, muito menos se for sair pra beber e falar baixaria com as amigas! “Loucura, mulher minha não faz isso!” Usar salto fino gigante e saia curta também não é legal, o bonito é calça jeans e tênis. E nada de muita maquiagem, cabelão de propaganda de shampoo, o legal é ser natural.

Homem se relaciona melhor com mulher tom pastel porque é FROUXO. Exatamente isso que tu leu. Porque não consegue conviver com uma mulher que sabe fazer joguinhos, que consegue combinar tão bem as roupas, as palavras, a inteligência e o bom humor. Homem sempre vai preferir a facilidade e a facilidade é a anencefalia, ops, a “fofura” das tons pastéis.
Homem não sabe se relacionar com mulher que bebe tanto quanto ele, que fuma, joga, que comenta futebol, que é sexy. Mulher que fala de sexo é vagabunda. Mulher dirigindo? Homem odeia mulher que dirige. Tem medo porque sabe que ela pode ser melhor que ele. Deus me livre mulher com opinião, mulher que discute política, mulher que entende filme francês. Tudo isso é medo, porque falta em ti o que sobra nela. Tu? Tu morre de medo daquela carinha doce com brinco de pérolas de dia e daquelas pernas no shorts durante a noite. Ela muda de roupa e de personalidade quando quer, você malemal sabe definir em que posição você joga.
Homem tem medo de mulher, homem gosta de menininha. Homem diz que não mas adora mulher que faz voz de bebê, bico e doce. Homem gosta de menina que dorme abraçada com o urso, de pijama cor de rosa e não suporta a idéia de se relacionar com uma mulher de verdade. Mulher que dorme como quer, a hora que quer, que não faz bico, engrossa a voz e discute.Dá a cara pra bater, demora pra entrar em uma briga mas arrasta um caminhão com as mãos pra não sair dela.
Homem não consegue, não adianta, não consegue se relacionar com mulher que não seja tom pastel. Homem gosta de mulher que derrete quando ouve “eu te amo” e não entende mulher que prefere one night stand.
Ele diz: eu te amo.
Ela diz: obrigada.
Meninas,usem essa estratégia se quiserem acabar com ele. Homem, de qualquer tipo, não entende isso.

Homem não entende que mulher prefere focar a carreira, na coleção de sapatos, prefere beber vinho sozinha vendo Sex and the city do que agüentar os comentários machistas deles. Homem não suporta mulher que sabe o que quer. Eles reclamam das indecisas, reclamam das chiliquentas, reclamam das imaturas, mas adoram. Adoram mulher que berra, que grita, que faz escândalo, bate o pé. Adoram mulher que não sabe se casa, vende a bicicleta, veste rosa bebê ou azul verde água. E CLARO, usa lingerie de estrelinhas e corações. Desculpa, dói minha alma só de pensar nos sapatos CONFORTÁVEIS que elas usam. Meninas, não sejam gostosas. Mulher gostosa dá dor de cabeça. Não saibam dançar, dançar é sexy e como já percebemos, sexy é ruim.
Homem gosta de mulher tom pastel porque mulher tom pastel adora grude. Adora ciúme, adora sair só com ele, adora aquela melação que me dá até enjôo. Não que as mulheres de verdade não gostem de romance, elas adoram, mas tudo na medida certa. Elas gostam do romance real, não da historinha de conto de fadas, elas já perceberam que o Príncipe Encantando, além de não existir, é um pentelho e por isso nem esperam que você ligue. Mas abrem um sorriso bem grande quando você manda mensagem. Mulher tom pastel não sai só com as amigas, não faz piadinhas, não fala mal dos outros. Mulher tom pastel não oferece risco. Mulher? Mulher de verdade adora uma fofoca, corre de salto fino em paralelepípedo pra ouvir um bafão novo, adora sair num double drink com as gurias e faz as piadas mais cretinas e sujas que você já ouviu. É, tu não agüenta tudo isso.

Good news, mulherada, o problema não é conosco, é com eles. Então se tu planeja namorar, leia o manual da moça da Clarice Lispector de 1960, garanto que é tiro e queda. Basicamente, tudo que nossas vovós lutaram pra a gente ser independente, inteligente, participativa na sociedade só adiantou pra uma coisa: sermos solteiras. Infelizmente, queridinha, a vida é feita de escolhas, logo, ou você é solteira ou você é tom pastel, prontofalei.

Perdão a TODAS as amigas comprometidas (ou tu acha que eu me relaciono com essas tons pastel?), vocês conseguiram fisgar aquele 0.5 % de homem que gosta de mulher de verdade. Porque pra nós,pobres mulheres de verdade que restaram, homem tá igual vaga de estacionamento de shopping na véspera do Natal: as boas estão ocupadas e as que sobraram não valem o esforço da manobra.


p.s.: se sentiu ofendido? Dê tua opinião aqui, vai que tu é uma das poucas e boas vagas sobrando....

domingo, 12 de abril de 2009

Desequilibrada.


* na foto: o auge do desequilíbrio chinês(por consequência direta, o melhor dia da viagem)


Eu cresci ouvindo que a chave para a felicidade era o equilíbrio. Cresci,literalmente, me equilibrando nas pontinhas da sapatilha, nas vontades, nos medos, na rodinha da bicicleta que eu jamais tirei. Mas aí a vida foi ficando chata e eu resolvi largar as sapatilhas, desistir da bicicleta e ultrapassar os limites. Passei do limite na confiança,confiei demais, desconfiei demais, julguei demais, me apaixonei demais, amei demais, amei de menos, passei no limite de velocidade do radar,nos gastos do VISA e até nas doses de vodka e tequila. E nem por isso, fiquei triste, talvez, exatamente o contrário. Você pode até me dizer que foi a emoção do momento, que é irresponsável, mas eu peguei gosto pela ausência de equilíbrio. Paguei caro, literalmente e metaforicamente, pela ausência do equilíbrio, perdi amor, amigos, dinheiro, gasolina, mas ganhei muito mais. Ganhei mais amor,paixões, experiências, verdadeiros amigos, compreensão e acima de tudo, coragem. Coragem pra assumir as consequências dos meus desequilíbrios. Te dou um conselho: é MUITO mais fácil ser equilibrado. Teu jeito é mais bem aceito, afinal é 'normal', tuas atitudes não são julgadas, teus valores condizem com os 'corretos', tua diversão não tem riscos. Eu? Eu cansei de tentar me equilibrar pros outros, cansei de me adequar ao padrão equilibrado, não condiz comigo, não é Lígia. Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: enérgica demais, brilhante demais, faladeira demais, pequena demais, proprietária de sapatos demais e intensa demais. E se existem duas palavras que NÃO podem andar juntas, elas são equilíbrio e intensidade. Intensidade, já diria o Aurélio, é : força, energia, grau de tensão. Intensidade é quanto vale cada momento, intenso é aproveitar ao máximo tudo que a vida te proporciona. É ser oito ou oitenta, amado ou odiado. Intensidade requer peito (sem trocadilhos), vigor, coragem, personalidade, caráter, capacidade de discernimento. Equilíbrio requer prática, ponderação,morosidade, calmaria, ficar em cima do muro, não tomar partido, evitar se envolver. Eu não assim. Do equilíbrio do ballet, eu sinto falta. Para o resto, minha felicidade já tem outras chaves, entre elas a que solta a rodinha da bicicleta.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Brincando de(e com) Vinícius.

Para viver um grande amor é preciso saber de paz e de tormenta. É preciso sempre estar pronto para acalmar, animar, cantar, dançar, beijar a qualquer momento. Para viver um grande amor é preciso olhar pros lados, desviar o foco, deixar acontecer. É preciso parar de procurar e começar a viver. Para viver um grande amor, é preciso saber cozinhar, seja uma boa sobremesa ou aquele penne ao pesto que só você sabe o quanto é bom. É preciso saber dirigir, a vida e um carro, não necessariamente bem, ambos, mas desde que tenham um rumo certo a ser seguido, não aconteceram grandes problemas.
Pra viver um grande amor é preciso ter memória. Para datas, falas, fatos, mensagens, filmes, livros, cheiros. Para viver um grande amor, já diria Vinícius, é preciso saber tomar whisky. E champagne de vez em quando, vinho sempre, cerveja nos dias de calor, refrigerante (light/diet/zero), água, café. É preciso conhecer bem o momento. Chimarrão. Mas não mate, chá mate não é para o amor.
Para viver um grande amor é preciso falar, conversar, bombardear com perguntas. Trocar experiências, discutir política, filmes, big brother, horóscopo. É preciso diálogo. Comunicação de mão dupla.Para viver um grande amor é preciso paciência e quanta paciência. Na tpm, nas crises pré entrevista de emprego, nos dias de choro, nos dias sem choro. É preciso entender. Entender que “ficar sozinho” é necessário, sair com os amigos mais ainda, beber além da conta faz parte e ter vícios pode ser até charmoso. É preciso saber perdoar. E realmente esquecer.
Para viver um grande amor é preciso mais do que ser fiel, é preciso ser leal, é preciso ser verdadeiro, sincero, honesto. Para viver um grande amor, antes de tudo, é preciso querer viver um grande amor. Entregar-se, sem negação, viver com intensidades aqueles pequenos segundos de olhares, frases com entrelinhas interessantes, aquela angústia da incerteza. É preciso sentir, realmente, butterflies in your stomach e dor na mandíbula de tanto sorrir.
É preciso surpreender, pegar o carro as 4 da manhã pra dar um beijo de boa noite, sumir e voltar, mas sempre se fazer presente. Para viver um grande amor é preciso desencanar das gordurinhas e celulites e de ter um olho maior que o outro, é preciso começar vivendo um amor consigo mesmo.
Pra viver um grande amor, tem que gostar de samba,de rock, de sertanejo, de músicas românticas fundodepoço, tem que arriscar uns passinhos de dança, saber cantarolar uns versos e prestar atenção nas letras. É preciso aceitar amizades antigas, receber novas e, claro, gostar de crianças. É recomendável dar apelidinhos fofos, ridículos e manjados, mas que arranquem um sorriso no meio de uma briga ou demonstrem que está tudo bem depois dela.
É preciso telefonar e atender ao telefone, mas não sempre. Sem grudes, sem patrulhas. Para viver um grande amor é preciso entender de distâncias. Aquelas que chegam doer e aquela que é totalmente necessária nos dias de mau humor. Para viver um grande amor é preciso gostar de futebol, mas não necessariamente torcer pro mesmo time. é preciso sentir vontade de assistir clássicos juntos, tentar entender o que é impedimento e provocar quando o time do outro perde.
É extremamente necessário sentir ciúmes, não ciúme doentio, de fazer barraco e pagar de louca, mas ciuminho daquelas outras que mandam recados, daqueles outros que causam um perigo na “sua área”, é preciso fazer bico quando for dizer “eu só sinto ciúmes porque eu gosto de você.” É preciso brigar de vez em quando, discordar da cor do esmalte, do filme pra assistir, da posição política. Mas tudo isso pra depois fazer as pazes e perceber que nada é maior que...o amor.
Mas tudo isso não adianta NADA , se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a(o) bem-amada(o) — para viver um grande amor.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Do you believe in life after love?



As fases do ‘pós-amor’ sempre foram e sempre serão discutidas na vida e principalmente no universo feminino e formas para superar aquele que te fez /faz sofrer sempre existirão, mas nada milagroso. Há quem prefira viajar, se internar sozinho em casa com vinho, cair na noite. Mas dizem que não há nada como um novo amor para esquecer um antigo. Particularmente, eu não sei até onde é eficaz. Até onde você consegue esquecer alguém com outro alguém. Pode ser que você se empolgue com a pessoa nova, ela não é nada do que você tanto detestava na antiga, se é que você detestava algo, come as coisas que você gosta, assiste aos filmes que você indica, lê livros, fala um inglês perfeito e ri das suas piadas. Mas pode ser que não, pode ser que você não consiga, que você procure no rosto novo as pintinhas do rosto antigo, que você escute músicas que te lembram, mesmo sem querer, a outra pessoa, você até sai, bebe, se diverte, escuta novas músicas, mas chega em casa, joga os sapatos em um canto e pensa no quão feliz estaria se fosse com a outra pessoa.
Não é justo, nem contigo, nem com o outro. Não é justo usar alguém para esquecer o outro alguém, iludir uma nova pessoa, que vai precisar de mais uma, talvez também iludida, pra esquecer de ti e assim formar um ciclo eterno de broken hearts. Mas mais do que isso, não é justo você se enganar. Vestir aquele vestido que nem você sabe mais se é você mesmo quem gosta ou se era ele. Usar aquele perfume que você acha que adora, mas se confunde com as lembranças dela dizendo “passa aquele perfume que eu gosto?” Não é justo ter que ficar bem sem realmente estar bem, Não é justo você ter que enxugar as lágrimas antes do tempo pra mostrar pra alguém ou pra você mesmo que superou.
Por isso, eu acredito em “fases pós-amor”.
A primeira, minha velha conhecida, consiste em tristeza, chocolate e pijama. Pode durar um dia, uma semana, um mês, depende principalmente das suas amizades que vão te resgatar achando que você morreu porque não atende o celular ou da intensidade do antigo amor, caso você não tenha amigos. (BRINCADEIRA). Na prática é fácil, vestir seu pijama quentinho e confortável, pegar PS: Eu te amo, Diário de uma Paixão ou qualquer filme que te faça chorar muito e se afogar em lágrimas, coca-cola light e chocolate com avelã. Não é saudável, mas essa fase é necessária, é um tanto Iemanjá falar e acreditar nisso, mas colocar toda a angústia pra fora,em forma de choro, ajuda e muito. Tanto quanto falar sobre isso, mas POR FAVOR, sem fazer contas de quantos anos faltam pra você se formar+ quanto tempo demora pra conhecer alguém legal + ter um relacionamento estável+noivar+casar = a sua idade avançada, sem tentar descobrir perguntas tão sem resposta quanto pra que serve Gestão da Informação, do tipo “Aonde foi que eu errei?”.
É tão necessária quanto a segunda fase, minha favorita, a fase ‘noturna’. Normalmente não dura muito, mas ninguém melhor que você para saber quando deve parar. É aquela de vestir aquele bom shorts que te deixa ‘interessante’, de beber um pouco além do que você pode, sair com os amigos animados(sair com gente tão deprê quanto você não dá, né?) e conhecer pessoas que você jamais vai encontrar de novo. Sem se importar se é quinta/terça/domingo ou sábado, mas POR FAVOR, evite lugares românticos (leia-se onde só tem casais apaixonados) ou possíveis encontros com o ex. Mas atenção: se você chegar em casa e jogar os sapatos pro cantinho pensando no outro, volte pra fase inicial. Pior ainda, se você chorar/ ficar deprimido no meio do bar, pegue um táxi e vá pra casa, volte pra fase inicial, mesmo que tenha que levar os amigos junto. Caso o plano “dê errado” e aquele que não deve ser nomeado (o ex) vier a ser encontrado, pense bem no que você sente e por favor, não fique hipnotizado por ele, secando sem parar a pessoa por onde ela andar, não xingue (barraco nunca é bom, né?) e tente não abrir o berreiro na frente dele. Principalmente se a pessoa tiver acompanhada. Em alguns casos, pode ser bom, você (em virtude do álcool ou na realidade mesmo) consegue dar um oi comportado, pergunta como ele está e continua aproveitando sua noite. Good job, você está recuperada (o). Mas como pode ser meio cedo para todos os mortais, melhor tentar evitar o encontro.
Depois da fase “trocar o dia pela noite”, a vida vai se encaminhando, algumas das pessoas que você acreditou nunca mais ver, aparecem, e se mostram mais interessantes do que você julgou no auge daquela tequila, seu trabalho começa a te enlouquecer, você precisa se matricular em pelo menos três optativas esse semestre, você começa a contar calorias pra perder aquelas que ganhou com tanto chocolate, você sai para tomar um vinho com uma amiga e já olha para os lados, já não repete tanto o nome dele, você vai jogar bola com os amigos, bebe cerveja e repara na morena bonitinha comprando cigarro, e quando você menos espera, encontra no meio de uma frase ou de uma atitude um “estou feliz novamente.”
Não é uma regra, não é geral, mas funciona para a maioria das pessoas,afinal, se a vida é feita de fases, por que a pós-vida, ops, pós amor, não pode ser? O ideal é respeitar seu próprio tempo, ouvir conselhos só quando estiver disposto, ir sempre na manicure (nada como uma tarde no salão pra renovar a auto-estima) e ser forte. Se tudo isso vier acompanhado do “amigo da amiga que é suuuper querido”/ “a gostosa amiga do meu brother do futebol” e realmente funcionar, ótimo,mas se não? Voltemos aos filmes e ao pijama.
Mas não se preocupe não há tristeza que dure eternamente. E como já me disseram um dia desses “o sofrimento é o intervalo entre duas felicidades.” Think about it.


P.S.: Juro que estou tentando fugir do tema recorrente(amor), mas ta difícil.
P.S. (2): Os vinte estão chegando, a sensação de “estar ficando velha” também, mas tudo passa com a lembrança de que o carnaval também está aí =)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sobre viver, aprender e.... dividir.


- AAAi, essa é de longe a sobremesa que eu mais gosto. Não entendo como você ta conseguindo ficar sem chocolate, Li.
- Tá, mesmo se eu estivesse comendo, você não ia me dar um pedaço, você sabe disso.
- Não mesmo. I don’t share food.
- Hahaha mané. Você não divide nada, você sabe disso.
- O que? Fala aí então, Mrs. “EU NÃO EMPRESTO SAPATOS.” Mas sabe, eu sei que vai chegar uma hora que eu vou querer dividir isso, que eu vou querer dividir muito mais.
- Ah, vai chegar uma hora que você vai cansar de viver sozinha e querer dividir seu sorvete de kinder ovo com alguém? VOCÊ?
- Li, não é isso, é dividir tudo, sabe? Desde meu sorvete até meu CKone.
- Ai, pode parar, você sabe que eu não acredito em perfume “unisex”, sempre a mulher fica com cheiro de homem e o homem com cheiro de mulher, essas coisas não funcionam. Sem contar que perfume de homem é muito melhor. Perfume unisex é tipo tamanho único, one size fits all, não funciona pra ninguém. Mas eu não vou negar, eu concordo contigo, chega uma hora que a gente precisa dividir as coisas com alguém e não é amizade, né?
Incrível como uma simples conversa na Freddo faz a gente pensar.
Realmente, chega uma hora da vida que todo mundo quer dividir com alguém. Dizem que é por medo da solidão, discordo, ninguém nunca está sozinho, por mais que acredite estar. Sempre vai ter algum amigo, alguém da família do teu lado, mas, certamente, não é com seu avô que você quer dividir seu suco de laranja e a página de esportes do jornal no café da manhã. Não é com sua priminha que você quer dividir seu travesseiro da Nasa vendo aquele filme que só você sabe como é bom. Não é com sua mãe que você quer dividir o volante do carro até a praia. Não é com seu amigo/parceiro de Woods na quarta que você quer dividir sonhos, planos, angústias. Pode até ser, mas não são desses tipos de planos que eu tô dizendo, não são planos de amigo, de passar o carnaval juntos, beber estilo “Maysa”( a cantora, não a criança), dançar até nascer o sol ,mentir o nome na balada e criar aquele business promissor na praia. São aqueles planos a longo prazo, ou médio ou até curto, mas são planos que revelam, mesmo que só uma pontinha, do que nós realmente queremos pra vida.
Pode ser que isso já esteja acontecendo contigo(e comigo), pode ser que demore a acontecer. Não sei te dizer o momento exato que acontece, mas sei que leva em consideração três fatores principais: experiência, valores e amadurecimento. E digo mais, esses três fatores dependem diretamente do tempo.
Que atire a primeira pedra quem jurar, de pés juntos, que seus valores continuam os mesmos desde os 5 anos de idade. Ah, cá entre nós, você sabia muito pouco sobre valores aos 5 anos, sabia o que seus pais te ensinavam, o que moldou sua educação e , é claro, é importante até hoje, pois a partir desses valores iniciais, você descobriu seus valores de hoje em dia, você moldou seus princípios.
Mas de nada valeriam seus valores sem a sua experiência e por experiência eu quero dizer, TODA a sua vivência, em todos os âmbitos, até o dia de hoje, todos os amigos feitos, perdidos, recuperados e aqueles que nunca se separam, todas as suas notas desde a 1ª série até o dia de hoje, sejam boas, ruins, médias, fruto de estudo, dedicação ou de uma boa cola de um bom aluno sentado a sua frente, todos os seus relacionamentos com homens/mulheres, sejam eles de uma noite, um dia, uma semana, um mês, um ano, vários anos, sejam eles nascidos em uma balada, em uma conversa de MSN, em um encontro arranjado por amigos, em um encontro arranjado pelo destino. Todas as suas viagens, sejam elas até Matinhos ou até o outro lado do mundo, toda a vivência em lugares que você não pertencia mas que se adaptou(ou não). Todos os seus erros, acertos, tropeços, pés e braços quebrados, todos os seus cortes, suas cicatrizes, aparentes ou não, todas as suas mágoas, as suas descobertas, todas as suas vitórias, as suas derrotas, todas as vezes que você perdeu no Winning Eleven e deitou no futebol de verdade, todas as vezes que você chorou escondido ou em público, que bebeu demais, que bebeu de menos, que bateu o carro, que bateram no seu carro, que ganhou emprego, que perdeu emprego, que soube aproveitar, que deixou passar. Sua experiência é a soma de toda essa vivência com uma pitada de nostalgia, que nos faz sentir falta, valorizar, mas principalmente, aprender com o que passou.
E por último, o amadurecimento, sendo bem prática, daria pra resumir em experiência + valores, mas eu (e você que está lendo) sei que não é bem assim que funciona. O amadurecimento, logicamente, vem com nossos erros, acertos e é baseado nas experiências e nos valores, mas não existe fórmula secreta para amadurecer. Um dia, simplesmente, você amadureceu. Crescer é perceber que suas roupas não servem mais(engordar também), amadurecer é perceber que você não cabe mais naquelas roupas, que você mudou, que aquele tênis já não combina mais com seu jeito, que aquela saia já não reflete mais o que você quer que alguém pense de você,que aquele seu antigo pensamento já não cabe mais na sua cabeça.
Enfim, quando você perceber que amadureceu, você vai perceber que de nada valerá todo o resto, se não tiver alguém com quem dividir esse resto. Os próximos momentos, as próximas experiências, os próximos sorvetes de Kinder Ovo e até os próximos “perfumes unisex”(blé) e por que não, a vida?
Afinal,só quando você amadurece, você percebe o sentido daquela frase, daquele mesmo filme que só você sabe o quanto é bom: hapiness is only real when shared.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Uma mistura de Bender e Jabor.

Se a Jackie não tivesse ido pra Naples e me trocado por um americano, ela estaria dizendo nesse momento " Bender, pare de ler Jabor.", mas ela foi. Se a Lih não tivesse ido pra Baltimore e me trocado pelo Blake e pela neve, ela diria "O que a gente vai fazer hoje,xará?" mas ela foi. E então eu fiquei em casa, num calorzinho ideal pra sair, lendo Jabor. E aí eu comecei a misturar pensamentos meus naquelas crônicas manjadérrimas de orkuts de menininhas dele. Percebi algumas coincidências bobas, coloquei e tirei idéias, minhas e dele. E lembrei que eu voltei dessa viagem ao outro lado do mundo, literalmente, sem acreditar em coincidência. O resultado, ruim, mas sincero, você lê(se quiser) abaixo.

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Até porque você pode preferir Chico a Caetano e achar um fumante bem charmoso.
Ama-se pelo cheiro,seja daquele perfume que você não consegue lembrar o nome ou seja por aquele cheiro que você não lembra da onde conhece até que conhece o dono dele, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca e você tanto gosta.
Ama-se pelo tom de voz,ouco que nem o seu, imponente ou grosseiro, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.Você, logo você, que devia saber que ela odeia flores. Devia ter mandando aquele chocolate. Ou não, ela parou de comer chocolates e também está parando de comer carne vermelha. Mas você não sabia ou fingiu que não sabia.
Você gosta de rock e hip hop e ela de chorinho,de pagode, de sertanejo.Você até gosta de praia, mas não é chegado a uma areia, enquanto ela chega as 10 e só sai quando tá escurecendo.
Vcê abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, tem vontade de chorar, não sabe explicar porque, quando começa a contagem regressiva. Nem no ódio vocês combinam!
Então?Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Ela provoca, anda diferente, atende o telefone querendo desligar. Você fala daquele jeito que ela detesta, bebe demais, dirige muito devagar.
Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário enquanto você desfila o Izabelle Wen que trouxe da sua última viagem e demora 20 minutos só escolhendo os sapatos. Você não arranja um emprego de forma alguma e ele arranja vários mas não emplaca uma semana neles.
E é meio galinha. Meio não, galinha por inteiro. Não pode ver uma saia que não controla os olhares. E você?No fundo, você adora.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Ué, não era tu que não acreditava mais nisso? Que achava ridículo?
Por que você ama ele?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita, retoca os defeitinhos com uma boa maquiagem e sempre compra os cremes que acredita fazerem milagres. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Ou você faz acreditarem que tem. Pinta os olhos pra parecerem maiores do que já são e ensaia olhares antes de usá-los, mas quando usa, parecem naturais. É dom, charme, é o que dizem.
Ele? Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por tecnologia e não entende como você não comprou nenhum eletrônico na viagem. Você foi pro paraíso da tecnologia e voltou com uma mala de maquiagens? Ele ri da sua falta de vontade de aprender a mexer na televisão nova e se irrita com sua mania de apertar todos os botões achando que vai fazer funcionar algo.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e aprendeu a não julgar as pessoas, voltou mudada, tá escrito na sua cara, até a família tá comentando.
Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. E nem adianta tentar achar no Orkut as exs namoradas loucas e as comunidades estranhas. Colocar o nome no Google é pior ainda. Você diz que não está procurando. "Pra que amor? Eu tô comprometida com a minha carreira." Mentira, solta sorrisos à toa quando uma nova possibilidade aparece. Diz que gosta é da sedução, da conquista, que não apareceu ainda e talvez que nem apareça alguém que te coloque no lugar. Mas também você não está procurando, não é?
Amar?
Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas eles te enjoam, te fazem promessas que você preferia não ouvir e quando você percebe, não quer mais responder mensagens e prefere ficar vendo Sex and the City pela vigésima vez do que sair com ele.
Não adianta, ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! E talvez por isso, você tenha desistido, largado mão do amor... mas ainda pede quietinha sempre que aparece um " possível amor" que seja esse o "the one", afinal pedir é a maneira mais eficaz de merecer, é a contingência maior de quem, não admite mas, precisa.