segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"summer" nights.

Ela sempre adorou noites de calor. Aquelas quando dá pra dormir só de lençol. Aquelas em que a gente sai pra beber chopp com os amigos em algum lugar aberto, sem ter que levar casaco. Aquelas noites em que dormir soa como desperdício. Mas dessa vez, ela não sabia definir se fora a noite quente, a quantidade de vinho ingerida ou aquela sensação de que o pior do ano já passou e agora cada dia é só um a menos na contagem regressiva pra 2010.
Não dava mesmo para entender ou explicar o porquê daquilo tudo. Quer dizer, era óbvio demais? Sempre foi assim e ela tentava, incessantemente, negar? Ou depois de tanto tempo, quando pararam de procurar em alheios, acharam um no outro o que queriam?
Não dava pra ter certeza do porque aquilo acontecera, mas dava para ter a certeza que, dessa vez, parecia mais leve. Mais tranquilo. Mais verdadeiro.
Aconteceu que depois de tantas tentativas, tantos começos sem nenhum final, o destino parecia estar conspirando a favor. Ou não. Ou, finalmente, eram eles que queriam aquilo? Queriam ver o que poderia acontecer. Não só por ser uma curiosa incurável mas por ambos desejarem?
Ela não sabia explicar porque, não sabia aonde isso ia parar. Mas conseguiu, depois de anos, ser sincera. Sincera com a situação, sincera com ela mesma. Não conseguia (e talvez nem quisesse) mais negar o quanto gostava do reflexo dos dois juntos. Não conseguia mais cair em joguinhos, se deixar levar por outras propostas, por outros olhares. Só conseguia perceber que dessa vez era de verdade. Não eles, não aquilo. Talvez isso também fosse, ah, como ela queria que fosse.
Mas o que realmente era de verdade era o que ela sentia.
E quanto queria que aquela noite quente, totalmente atípica, soando verão no auge no inverno, se estendesse pelos próximos dias, semanas, meses. Não só pelo calorzinho gostoso que ela proporcionava, pela sensação de estar "vivendo em uma propaganda de iogurte light", mas sim, por deixar eles perto, por mais tempo. Principalmente, por aquela noite acender a esperança mesmo na mais desacreditada das românticas.
É, noites quentes realmente fazem diferença.

domingo, 19 de julho de 2009

oldie but goodie.




O tempo é cruel, mas a idade é pior ainda. Quando a gente tem 10, sonha em ter 15. Com 15? Quer 18. Com 18? Quer 20. Com vinte, começa a querer diminuir. Talvez eu esteja realmente velha. Velha a ponto de me stressar em baladas muitos cheias, achar absurdo “o jeito que é essa pegação hoje em dia” e JURAR de pés juntos que no “MEU TEMPO” não era assim.
Mas será que eu tô tão velha mesmo ou será que as coisas realmente mudaram? Por favor, maiores de 18 anos, me ajudem. Será que nos nossos tempos de Cabral Young todo mundo pegava todo muito, incluindo pegas realmente fortes tipo second base? Não. Aliás, até onde eu lembro, não vendiam bebida alcoólica nesses lugares e...ninguém sentia falta e vivia lotado; ou era impressão minha?
Nos nossos tempos de festas de 15 anos, todo mundo usava terno e vestidos e, bom, com quinze anos, era isso que a gente fazia, né? Festas de quinze anos, nada mais. Não pegava bem sair ficando com muitos meninos da mesma rodinha, quando alguém ficava com um, normalmente se estendia para a próxima festa(no dia seguinte, provavelmente) e não existiam porres históricos. Quer dizer, ninguém era super acostumado a beber então pouco já deixava alergrinho. Mas eu ouvi dizer que hoje em dia “esporte fino” quer dizer pólo e calça jeans e vestido “euesquecidecolocarcalça”. Até onde eu sei, esporte fino é ESPORTE FINO, vestido não precisa ser longo e não precisa de gravata, that’s all. Será que tudo mudou tanto e passou tanto dos limites que nem a ETIQUETA FASHION é respeitada? Não que eu não ame pólo, pelo contrário, eu sou uma huge fan de pólo, mas ela fica melhor na Woods. Eu prefiro não entrar no mérito alcoólico (até pq eu não tenho muita moral pra falar), mas se com 15 já se bebe e fuma e pega tanto, imagine com 30?
Talvez eu esteja realmente velha por me impressionar com pessoas de 16 anos na balada (Viva a identidade falsa!) fazendo tudo que eu faço com 20 (e coisas que eu não faço) em escala muito maior, talvez realmente essa “juventude esteja perdida”, talvez minha indignação seja por eu deixar de aproveitar por me irritar com eles, mas será que o tempo é tão malvado assim que quando você começa a pensar em casar (e se desesperar por não achar ninguém), automaticamente você se torna velha (e chata)? Será que é melhor sair e se achar muito nova para o local (nunca aconteceu com você? Experimente o bar PAPO FURADO) ou muito velha (Tente a Seven)?
No primeiro, você vai rir, te garanto, mas só no começo. Vai achar divertidíssimo ver aquele tiozão curtindo os sucessos dos anos 80, até ele achar que você é o sucesso da noite. Vai beber uma, duas, três cervejas e começar a achar que sua mãe devia ir no bar, vai pensar porque você não foi naquela aniversário da ex namorada do seu ex melhor amigo e quando for 2 horas, você vai embora, jurando nunca mais voltar.
Na segunda? Você vai achar divertidíssimo ver os meninos dançando de forma estranha, vai rir daqueles que fumam (sem tragar) e acabam tossindo, vai rir quando ver o amigo do seu primo que faz cursinho te olhando, mas odiar quando ele vier te perguntar se não era você que era amiga do irmão dele que casou(!) mês passado. No fim, não importa quanto você tenha bebido antes de chegar lá, não importa que seja o DJ do Jay Z, só vão ser 2 da manhã e você vai se irritar com as meninas semi nuas e ir embora, se arrependendo por gastar os saltos da sua sandália favorita.
Meninas semi nuas sempre existiram e sempre existirão. Playboyzinhos que acham que são gente fumando sem tragar também. Mas ou a coisa perdeu o limite ou eu realmente fiquei velha demais pra essa brincadeira e nova demais pro “papo furado”. Eu prefiro acreditar que é a primeira opção, apesar de usar ácido anti rugas e protetor solar todos os dias. Eu preciso acreditar que a “nova geração” podia tirar o pé do acelerador e aproveitar mais essa fase, gostar de Jonas Brothers e Hannah Montana, usar bastante tênis e moletom e beber pouco, senão, quando eles tiverem 20, o fígado e a moral já vão ter deixado de existir e a vontade de resgatar os tênis e o moletom vão chegar à beira do ridículo, porque só existe uma coisa mais ridícula do que usar sapatos anatômicos/ beges /cores que "combinam com tudo" : velhos querendo parecer novos.
Afinal, crescer é , dentre várias coisas, perceber que sapatos combinam mais com você( e suas roupas) do que tênis e, quem dera, até seu pé concorda com isso.
Crescer é agregar a si mais responsabilidades: emprego, família, amigos, namorados, ex- namorados, faculdade, multas do DETRAN, faturas do cartão de crédito. Crescer é perceber que não é que você não possa ligar bêbada pro seu pai te buscar às 3 horas na balada, crescer é perceber que você tem que levantar, comprar uma coca, pegar um táxi e deixar sua família dormir em paz, afinal você é responsável até pelos seus porres.
Turns out, que os 20 e poucos anos acabam sendo mais confusos que os 15 e talvez por isso a gente queira tanto voltar a eles, mas como não dá, fica pensando em casar e se desesperando por não ter noivo. No fim, o tempo pode ser até cruel, mas cada idade tem a sua loucura (a minha é realmente achar que eu tô velha com 20 anos) e a sua delícia. O grande desafio é saber aproveitar os dois lados de cada uma - seja com saias curtas, seja com moletom cor de rosa.
Samantha Jones já diria: When you're young, you can have a nice ass, but u dont know how to do anything. When u get old, u learn how to shop, talk, fuck and say goodbye after all. And about your ass? Pilates.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

About me.



Eu andei pensando, tá mais do que na hora de eu escrever mais sobre mim nesse blog. O problema é que myself não é algo que eu saiba dissertar de uma forma muito boa. Mas vamos tentar...


Lígia? É, Lígia, igual a música, sabe? É Tom Jobim...


É, já me disseram que parece que tenho 15, talvez por isso eu me encha de rímel preto pra parecer que realmente tenho 20.


Adoro sol, adoro calor, adoro praia e pernas de fora. Frio me tira do sério. Me deixa de mau humor.


Romance? Não, por favor. Eu prefiro dispensar essas coisas que não são reais, essas flores toscas e esse cartão que tu copiou da internet, prefiro gostar e acreditar que o romance vive nos pequenos gestos, nas atitudes do dia a dia.


Olha, eu já fui bem mais baladeira, mas continuo não dispensando uma boa Woods. É, eu sei, já devia ter cansado né? Mas...


Eu tomo vodka, sim. Tomo vinho, champagne, whisky, cerveja e coca light de manhã. Não, não álcool de manhã, coca! Ah, tu não vai me enxer por isso, né? A regra número 2 pra isso dar certo é tu me deixar tomar coca de manhã sem falar que vai me fazer mal, tudo bem pra você?


A regra número 1? Suma de vez em quando, não grude em mim, me deixe sentir saudades, seja presente mesmo ausente. Difícil? Not really.


Trabalhe seu lado cafajeste, fale besteira, me convide pra ver jogo, saia sozinho. Mas volte dizendo que você gosta de mim tanto quanto gosta de cerveja. Olha, não tente, não se esforce pra eu gostar de você tanto como eu gosto dos meus sapatos ou do Grêmio, talvez assim, eu REALMENTE goste tanto quanto, ou até mais.


Não precisa ser apressadinho, mas não seja tão devagar que me dê vontade de dormir. Não grita comigo senão eu revido, não conte piadas sujas do Michael Jackson, não fale mal do meu time, senão eu falo mal do seu. Minha educação depende da sua.
Por mais que eu fale mal do meu nariz e das minhas pernas sempre, sempre discorde. SEMPRE.


Não opine no jeito que eu dirijo, não fale mal das minhas amigas, não seja esportista demais.


Viaje, beba, coma, fume, sofra antes de me conhecer. Tenha histórias pra me contar e deixa contar as minhas, por favor? Eu sei que eu falo demais, mas é sempre sinal que eu estou gostando da conversa.


Me deixe surtar quando o carro estraga, me deixe sozinha, me deixe gastar 2 horas escolhendo a cor do meu blush. Não me obedece sempre, eu gosto de ser contrariada, me dá vontade pra ser melhor. (Mas me dá colo quando eu chorar, combinado?)


Não minta pra mim, nem pros seus pais. Não omita, eu descubro. Se eu omitir? Foi por uma boa causa, não me jogue na cara. Eu sou dissimulada se precisar, se acostume.


Não goste de tudo que eu gosto, mas não prefira filmes de medo. Me convide pra um vinho em plena quarta, lembre que quinta-feira é o dia que eu vou no salão e não ache que unha vermelha é coisa de biscate.


Ria dos meus machucados e dê beijinhos pra curar. Eu vivo caindo e me batendo e eu s-e-m-p-r-e vou culpar a miopia (mesmo com lente).


Não acredite em tudo que você vê na Interner, não se baseie no Jornal Nacional, mas me deixe ler minha Gloss em paz. Divida comigo o caderno de Esportes num domingo de manhã (13 h). Não me ligue de manhã. Atenda se eu te ligar de manhã. Mas nem sempre, não esteja disponível.


Goste de futebol, goste de ver jogo, em casa ou no estádio. Não precisa gostar do Grêmio nem odiar o Inter. Pode ser atleticano, pode ser coxa, mas ame seu time. Saiba as músicas, a escalação, saiba torcer e se finja atleticano pro meu pai. Ou pelo menos vá no jogo com ele.


Não venha querer dar uma de meu pai, de meu filho, de meu irmão. Seja você, independente do papel que você está ocupando pra mim.


Não me peça pra tirar o piercing pra me apresentar pra sua família, nem pra usar sapatos ortopédicos porque eu vivo reclamando de dor. Não fale um A dos meus sapatos, entendido? A não ser que sejam elogios...


Mudo de humor de acordo com o sol, com as notícias, com o episódio de Sex and the city. Não precisa entender, nem respeitar, só fique longe (ou perto).


Ria comigo, seja parceiro. Queira ir pra praia mesmo no frio, dançar samba, comer chocolate de manhã.


Me deixa pular no seu colo e vá mais pra trás quando eu disser "Mais longe". E óbvio, me segure.


Minha mãe adora Robertos Carlos e se acha jovem, meu pai adora cozinhar e é extremamente piadista. Minha família tem bebês a cada cinco minutos e todos são meus amores, desde a minha cópia em miniatura até a bebê de dois meses.


Entenda que eu quero casar. Entenda que eu quero ter filhos. Entenda o que a minha profissão faz, por mais difícil que isso seja. Entenda que eu sou nerds, cdf e workaholic.


Me deixe comer mousse de chocolate em paz. Coma carne.


Tenha defeitos. Erre letras de música, marchas, erre em provas, erre no curso que você escolheu.


Me deixa perceber que você é tudo que eu pensava que você era. Ou totalmente o contrário.


Minhas amigas vão saber de ti, tu vai saber delas. Seja piadista, mesmo que sejam piadas cretinas. Se eu gostar de ti, elas vão gostar, não precisa fazer esforço.


Eu sou ciumenta, sim, mas nem tente ser o tanto quanto eu sou. Ciúme é bom em alguns casos, mas na maioria só estraga tudo. Eu odeio ciúmes, principalmente quando sou eu que sinto.


Entenda que eu adoro casais que estão a anos juntos, adoro alianças, adoro filmes de amor, mas que nem sempre isso quer dizer que eu queira tudo aquilo.


Pra me entender, não adianta ler tudo que eu escrevi aqui, não adianta ler todos os meus textos. O que eu posso dizer é que a minha pessoa favorita nesse mundo me define como “mulher no sentido bíblico” e que meu nome devia estar no verbete intensidade do dicionário , fora isso, fica a seu critério. Só tenha em mente que quem se define, se limita e limitação é DEFINITIVAMENTE algo que não combina comigo.



Boas férias =)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Fairytales don't always have a happy ending, do they?

Tem dias que eu fico pensando o que aconteceria com as princesas se elas vivessem na realidade. Será que a Branca de Neve ia dormir o resto dos dias ou ia encher o saco de viver naquela caixa de vidro, cuspir a maçã fora, trabalhar, dirigir e levar os sete anões pra Disney com o dinheiro do décimo terceiro?Será que a Cinderela no meio do caminho pro castelo, já transformada em Gata Borralheira, se lembraria que pagou muito caro só na primeira, das três parcelas, daquele sapatinho e voltaria correndo buscar? Ou será que até hoje, elas, assim como muitas de nós, não estariam esperando o príncipe pra nos salvar?
Será que nós (IMPORTANTE: Por nós entenda-se, mulheres não tom pastel) apesar de toda a noção desse mundo não continuamos esperando o Príncipe? Será que lá no fundo de toda mulher não existe aquela vontadezinha de ser “resgatada”?
Eu? Eu sei o quanto eu gasto em sapatos, eu sei o quanto eu estudo, quantos km meu carro faz com um litro de gasolina, quanto eu posso beber pra não dar vexame. Eu sei que eu não abro mão das minhas expectativas e prioridades, que eu sei me cuidar sozinha, mas será que lá no fundo, eu não queria que o Príncipe chegasse logo, mas sem cavalo branco e roupinha olfashion e me salvasse de uma vaga apertada no estacionamento ou de uma dor de cabeça que não me dá trégua?
Acontece que ano após ano, nós (IMPORTANTE: Entenda-se nós por MULHERES EM GERAL, tons pastéis e não tons pastéis) somos bombardeadas com romances inatingíveis e homens impossíveis, desde o (tosco) Crepúsculo até (meu favorito e ai de quem falar mal) Sex and the City,todas as produções que envolvem romance contribuem para aumentar as expectativas das nobres representantes do sexo feminino, sem se importar com a idade. Isso só faz nossa expectativa de “como a vida deve ser” girar em torno de como nós brincávamos de Barbie aos 5 anos e como nós vemos, 15 anos depois, outras pequenas brincarem, da mesma forma. Se nós evoluímos tanto pessoal e profissionalmente, por que insistir nesse modelo de relacionamento?
Tudo bem, pra muitos pode não servir o “one night stand”, o ma-ra-vi-lho-so porém galinha, o Bavária (cerveja das amigas né? ahahaha) ou o bonitinho (muito) mais novo, mas com certeza, essa necessidade de ter um relacionamento estável com committed no Orkut e aliança no dedo não faz bem pra ninguém. Seguem meus motivos:

Motivo 1 – Qualquer affair vira potencial namorado se cumprir determinadas exigências. São elas: fazer faculdade (de preferência uma que revele a inteligência elevada dele), ser queridinho, bonitinho e confiável. Genericamente falando, óbvio, porque outras exigências são pessoais: não ser pedestre, não ser grude, não gostar de futebol, ser amor à primeira vista, comer comida japonesa, etc. Mas acredite, as exigências primordiais raramente mudam. Ou seja, sendo elas preenchidas, ta valendo.

Motivo 2 - Pessoas que optam por não estar em relacionamentos são taxadas de : vagabunda, biscate, “da vida”, galinha, cachorro, pegadora, etc. Injustiça enorme, principalmente, porque é feita por pessoas que gostam de cuidar da vida alheia e também não tem relacionamentos, mas daí por opção (dos outros).

Motivo 3 - Massificação e popularização da melhor desculpa de todos os tempos para não namorar alguém que você não quer : “estou focado (a) na minha carreira.” Há alguns anos atrás, funcionava. Hoje? Nem tente.

Motivo 4 – O dia dos namorados vira motivo de suicídio – para as fracas. Por fracas, entenda-se : meninas que adooooram sonhar que um dia o amor da vida, alma gêmea, que combina com ela em TUDO (Existe coisa mais chata do que combinar em tudo?) vai bater na porta de casa e pedir pra casar com ela, vai abandonar a vida de pegador pra ficar só com ela ou desistir do sonho de morar na Indonésia porque ela não curte.Ela vai chorar e comer três kg de doces no dia 12 assistindo “Um amor para recordar”. Para as outras, um motivo a mais para ir na Woods, já que é sexta-feira e só vai dar gente solteira.

Motivo 5 – A máxima “quem procura, acha” é a maior mentira. Quanto mais você procura, em mais lixo você se mete. Quando você relaxa, aparece. Experiência própria.

Não, eu não sou contra namorar, eu acho muito legal. O que eu não entendo, nem suporto, pra ser sincera, é essa necessidade de namorar que anda pairando por aí e esse modelo de namoro “fabricado”, onde os dois gostam das mesmas coisas, andam grudados e se chamam por apelidos “carinhosos” (não vou nem tentar entrar no mérito da questão).
Esse desespero que tomou conta de meninas (e ATÉ meninos, que decepção heim boys?) em arranjar alguém e viver nesses moldes. Nem é por “achar que está velho” ou por “se sentir sozinho”, mas só porque todos os seus amigos estão namorando, porque você gostaria de ganhar presente, ou qualquer coisa além do simples fato de gostar de alguém e “be loved in return”.
Claro que namorar é legal, claro que usar aliança é fofo e claro que ter namorado no dia dos namorados faz todo o sentido, mas pra mim, a graça está no jeito que o destino ou qualquer coisa desse tipo arranja pra fazer as coisas acontecerem. A graça está no perceber o quanto você gosta de alguém que até ficaria noiva (putacoisabrega). A graça está em perceber que no fundo, até as mais tons vibrantes, gostam de ser salvas de uma chuva que vai ACABAR com a escova, mas elas também adoram e só vão deixar ser salvas se elas também puderem te salvar em um dia que você não sabe chegar em algum lugar. (ou se a chuva estiver realmente forte e ameaçar os cabelos E os sapatos)

Se a Bela Adormecida acordaria com o próprio despertador tocando ‘Extravasa’ eu não sei, mas que ela (e todas nós) adoraríamos que fosse uma mensagem do Príncipe (nem tão príncipe assim, do melhor tipo malandro, SEEEEM CAVALO E SEM ROUPA JACÚ.Pela vigésima vez, se preserva, Príncipe!) da balada da noite anterior ao meio-dia (ligar às 8 da manhã também não há princesa que agüente),isso ela adoraria.

Afinal, por mais que com o tempo a gente se livre da vontade de ser princesa porque ser de verdade é MUITO mais divertido, sempre resta aquele sapatinho de cristal, a diferença é que a gente volta pra buscar, nos salvando sozinhas, com as amigas e com um pouquinho de sorte, com um possível príncipe.


terça-feira, 28 de abril de 2009

Justificativa da solterisse das mulheres mais interessantes que eu conheço.


Eu tenho uma teoria. De novo, tu não precisa concordar comigo, é MINHA teoria, EU acho isso, se tu concorda, ótimo, se não, vá cuidar da tua vida.

Homem gosta de mulher tom pastel. Se não gosta, homem se RELACIONA com mulher tom pastel. Mulher pra namorar tem que adorar bege e amarelo claro, tem que sonhar em fazer tricô pros netinhos. Gostar de futebol? Tá louco? Mulher gosta de novela. Dirigir? Ser independente? Gostar de filmes inteligentes? Ler mais que ele? Jamais! Beber e fumar neeeem pensar, muito menos se for sair pra beber e falar baixaria com as amigas! “Loucura, mulher minha não faz isso!” Usar salto fino gigante e saia curta também não é legal, o bonito é calça jeans e tênis. E nada de muita maquiagem, cabelão de propaganda de shampoo, o legal é ser natural.

Homem se relaciona melhor com mulher tom pastel porque é FROUXO. Exatamente isso que tu leu. Porque não consegue conviver com uma mulher que sabe fazer joguinhos, que consegue combinar tão bem as roupas, as palavras, a inteligência e o bom humor. Homem sempre vai preferir a facilidade e a facilidade é a anencefalia, ops, a “fofura” das tons pastéis.
Homem não sabe se relacionar com mulher que bebe tanto quanto ele, que fuma, joga, que comenta futebol, que é sexy. Mulher que fala de sexo é vagabunda. Mulher dirigindo? Homem odeia mulher que dirige. Tem medo porque sabe que ela pode ser melhor que ele. Deus me livre mulher com opinião, mulher que discute política, mulher que entende filme francês. Tudo isso é medo, porque falta em ti o que sobra nela. Tu? Tu morre de medo daquela carinha doce com brinco de pérolas de dia e daquelas pernas no shorts durante a noite. Ela muda de roupa e de personalidade quando quer, você malemal sabe definir em que posição você joga.
Homem tem medo de mulher, homem gosta de menininha. Homem diz que não mas adora mulher que faz voz de bebê, bico e doce. Homem gosta de menina que dorme abraçada com o urso, de pijama cor de rosa e não suporta a idéia de se relacionar com uma mulher de verdade. Mulher que dorme como quer, a hora que quer, que não faz bico, engrossa a voz e discute.Dá a cara pra bater, demora pra entrar em uma briga mas arrasta um caminhão com as mãos pra não sair dela.
Homem não consegue, não adianta, não consegue se relacionar com mulher que não seja tom pastel. Homem gosta de mulher que derrete quando ouve “eu te amo” e não entende mulher que prefere one night stand.
Ele diz: eu te amo.
Ela diz: obrigada.
Meninas,usem essa estratégia se quiserem acabar com ele. Homem, de qualquer tipo, não entende isso.

Homem não entende que mulher prefere focar a carreira, na coleção de sapatos, prefere beber vinho sozinha vendo Sex and the city do que agüentar os comentários machistas deles. Homem não suporta mulher que sabe o que quer. Eles reclamam das indecisas, reclamam das chiliquentas, reclamam das imaturas, mas adoram. Adoram mulher que berra, que grita, que faz escândalo, bate o pé. Adoram mulher que não sabe se casa, vende a bicicleta, veste rosa bebê ou azul verde água. E CLARO, usa lingerie de estrelinhas e corações. Desculpa, dói minha alma só de pensar nos sapatos CONFORTÁVEIS que elas usam. Meninas, não sejam gostosas. Mulher gostosa dá dor de cabeça. Não saibam dançar, dançar é sexy e como já percebemos, sexy é ruim.
Homem gosta de mulher tom pastel porque mulher tom pastel adora grude. Adora ciúme, adora sair só com ele, adora aquela melação que me dá até enjôo. Não que as mulheres de verdade não gostem de romance, elas adoram, mas tudo na medida certa. Elas gostam do romance real, não da historinha de conto de fadas, elas já perceberam que o Príncipe Encantando, além de não existir, é um pentelho e por isso nem esperam que você ligue. Mas abrem um sorriso bem grande quando você manda mensagem. Mulher tom pastel não sai só com as amigas, não faz piadinhas, não fala mal dos outros. Mulher tom pastel não oferece risco. Mulher? Mulher de verdade adora uma fofoca, corre de salto fino em paralelepípedo pra ouvir um bafão novo, adora sair num double drink com as gurias e faz as piadas mais cretinas e sujas que você já ouviu. É, tu não agüenta tudo isso.

Good news, mulherada, o problema não é conosco, é com eles. Então se tu planeja namorar, leia o manual da moça da Clarice Lispector de 1960, garanto que é tiro e queda. Basicamente, tudo que nossas vovós lutaram pra a gente ser independente, inteligente, participativa na sociedade só adiantou pra uma coisa: sermos solteiras. Infelizmente, queridinha, a vida é feita de escolhas, logo, ou você é solteira ou você é tom pastel, prontofalei.

Perdão a TODAS as amigas comprometidas (ou tu acha que eu me relaciono com essas tons pastel?), vocês conseguiram fisgar aquele 0.5 % de homem que gosta de mulher de verdade. Porque pra nós,pobres mulheres de verdade que restaram, homem tá igual vaga de estacionamento de shopping na véspera do Natal: as boas estão ocupadas e as que sobraram não valem o esforço da manobra.


p.s.: se sentiu ofendido? Dê tua opinião aqui, vai que tu é uma das poucas e boas vagas sobrando....

domingo, 12 de abril de 2009

Desequilibrada.


* na foto: o auge do desequilíbrio chinês(por consequência direta, o melhor dia da viagem)


Eu cresci ouvindo que a chave para a felicidade era o equilíbrio. Cresci,literalmente, me equilibrando nas pontinhas da sapatilha, nas vontades, nos medos, na rodinha da bicicleta que eu jamais tirei. Mas aí a vida foi ficando chata e eu resolvi largar as sapatilhas, desistir da bicicleta e ultrapassar os limites. Passei do limite na confiança,confiei demais, desconfiei demais, julguei demais, me apaixonei demais, amei demais, amei de menos, passei no limite de velocidade do radar,nos gastos do VISA e até nas doses de vodka e tequila. E nem por isso, fiquei triste, talvez, exatamente o contrário. Você pode até me dizer que foi a emoção do momento, que é irresponsável, mas eu peguei gosto pela ausência de equilíbrio. Paguei caro, literalmente e metaforicamente, pela ausência do equilíbrio, perdi amor, amigos, dinheiro, gasolina, mas ganhei muito mais. Ganhei mais amor,paixões, experiências, verdadeiros amigos, compreensão e acima de tudo, coragem. Coragem pra assumir as consequências dos meus desequilíbrios. Te dou um conselho: é MUITO mais fácil ser equilibrado. Teu jeito é mais bem aceito, afinal é 'normal', tuas atitudes não são julgadas, teus valores condizem com os 'corretos', tua diversão não tem riscos. Eu? Eu cansei de tentar me equilibrar pros outros, cansei de me adequar ao padrão equilibrado, não condiz comigo, não é Lígia. Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: enérgica demais, brilhante demais, faladeira demais, pequena demais, proprietária de sapatos demais e intensa demais. E se existem duas palavras que NÃO podem andar juntas, elas são equilíbrio e intensidade. Intensidade, já diria o Aurélio, é : força, energia, grau de tensão. Intensidade é quanto vale cada momento, intenso é aproveitar ao máximo tudo que a vida te proporciona. É ser oito ou oitenta, amado ou odiado. Intensidade requer peito (sem trocadilhos), vigor, coragem, personalidade, caráter, capacidade de discernimento. Equilíbrio requer prática, ponderação,morosidade, calmaria, ficar em cima do muro, não tomar partido, evitar se envolver. Eu não assim. Do equilíbrio do ballet, eu sinto falta. Para o resto, minha felicidade já tem outras chaves, entre elas a que solta a rodinha da bicicleta.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Brincando de(e com) Vinícius.

Para viver um grande amor é preciso saber de paz e de tormenta. É preciso sempre estar pronto para acalmar, animar, cantar, dançar, beijar a qualquer momento. Para viver um grande amor é preciso olhar pros lados, desviar o foco, deixar acontecer. É preciso parar de procurar e começar a viver. Para viver um grande amor, é preciso saber cozinhar, seja uma boa sobremesa ou aquele penne ao pesto que só você sabe o quanto é bom. É preciso saber dirigir, a vida e um carro, não necessariamente bem, ambos, mas desde que tenham um rumo certo a ser seguido, não aconteceram grandes problemas.
Pra viver um grande amor é preciso ter memória. Para datas, falas, fatos, mensagens, filmes, livros, cheiros. Para viver um grande amor, já diria Vinícius, é preciso saber tomar whisky. E champagne de vez em quando, vinho sempre, cerveja nos dias de calor, refrigerante (light/diet/zero), água, café. É preciso conhecer bem o momento. Chimarrão. Mas não mate, chá mate não é para o amor.
Para viver um grande amor é preciso falar, conversar, bombardear com perguntas. Trocar experiências, discutir política, filmes, big brother, horóscopo. É preciso diálogo. Comunicação de mão dupla.Para viver um grande amor é preciso paciência e quanta paciência. Na tpm, nas crises pré entrevista de emprego, nos dias de choro, nos dias sem choro. É preciso entender. Entender que “ficar sozinho” é necessário, sair com os amigos mais ainda, beber além da conta faz parte e ter vícios pode ser até charmoso. É preciso saber perdoar. E realmente esquecer.
Para viver um grande amor é preciso mais do que ser fiel, é preciso ser leal, é preciso ser verdadeiro, sincero, honesto. Para viver um grande amor, antes de tudo, é preciso querer viver um grande amor. Entregar-se, sem negação, viver com intensidades aqueles pequenos segundos de olhares, frases com entrelinhas interessantes, aquela angústia da incerteza. É preciso sentir, realmente, butterflies in your stomach e dor na mandíbula de tanto sorrir.
É preciso surpreender, pegar o carro as 4 da manhã pra dar um beijo de boa noite, sumir e voltar, mas sempre se fazer presente. Para viver um grande amor é preciso desencanar das gordurinhas e celulites e de ter um olho maior que o outro, é preciso começar vivendo um amor consigo mesmo.
Pra viver um grande amor, tem que gostar de samba,de rock, de sertanejo, de músicas românticas fundodepoço, tem que arriscar uns passinhos de dança, saber cantarolar uns versos e prestar atenção nas letras. É preciso aceitar amizades antigas, receber novas e, claro, gostar de crianças. É recomendável dar apelidinhos fofos, ridículos e manjados, mas que arranquem um sorriso no meio de uma briga ou demonstrem que está tudo bem depois dela.
É preciso telefonar e atender ao telefone, mas não sempre. Sem grudes, sem patrulhas. Para viver um grande amor é preciso entender de distâncias. Aquelas que chegam doer e aquela que é totalmente necessária nos dias de mau humor. Para viver um grande amor é preciso gostar de futebol, mas não necessariamente torcer pro mesmo time. é preciso sentir vontade de assistir clássicos juntos, tentar entender o que é impedimento e provocar quando o time do outro perde.
É extremamente necessário sentir ciúmes, não ciúme doentio, de fazer barraco e pagar de louca, mas ciuminho daquelas outras que mandam recados, daqueles outros que causam um perigo na “sua área”, é preciso fazer bico quando for dizer “eu só sinto ciúmes porque eu gosto de você.” É preciso brigar de vez em quando, discordar da cor do esmalte, do filme pra assistir, da posição política. Mas tudo isso pra depois fazer as pazes e perceber que nada é maior que...o amor.
Mas tudo isso não adianta NADA , se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a(o) bem-amada(o) — para viver um grande amor.